Bali
Experiência que vale o Sabático

Bali por ele

Me emociono ao relembrar das nossas duas semanas de vida leve em Bali.

Essa grande ilha da Indonésia é Hinduísta (85% de sua população), diferentemente do restante do país que é de ampla maioria Muçulmana. Outra particularidade é que Bali possui seu próprio idioma, o balinês. Mas o indonésio é também muito utilizado, principalmente nas questões oficiais (sinalizações) e na região turística por haver imigrantes de outras partes do país que vêem trabalhar em Bali. Aliás, o indonésio é o mesmo idioma falado na Malásia, apenas muda o sotaque e algumas palavras. E o inglês acaba sendo também falado por quase todos devido a grande presença de estrangeiros e turistas.

Oferenda Hinduísta
Oferenda Hinduísta, um ritual diário: espalhada por todas as entradas dos estabelecimentos da cidade (essa estava na porta de casa)

Devido ao seu tamanho, Bali possui 9 divisões administrativas que se assemelham a municípios. Dessa forma, dividimos nossa estadia em dois locais: Seminyak (praia) e Ubud (centro), uma semana em cada lugar.

Seminyak

Nossa rotina em Seminyak
Nossa rotina em Seminyak

Juntamente com Kuta, são as praias mais agitadas de Bali. E quando se fala de agito na Indonésia você já pode imaginar uma quantidade imensa de pessoas dividindo o mesmo espaço… portanto, nesse quesito, as praias de Seminyak ficaram um pouco a desejar pra mim, pois tenho preferência por aquelas mais desertas. Além disso, estava com expectativa de encontrar areias branquinhas nas praias, mas não é o que existe na costa oeste de Bali onde as areias são escuras. A grande verdade é que em termos de praias o Brasil está absurdamente bem servido, nós brasileiros estamos muito mal acostumados.

Tirando esses dois pontos, tivemos uma semana maravilhosa em Seminyak.

Villa em Seminyak
Piscina compartilhada da nossa Villa em Seminyak

Como o custo de vida na Indonésia é deliciosamente baixo, ficamos hospedados numa linda casa (que aqui eles costumam chamar de “Villa”) que havia até uma piscina compartilhada com outras duas casas. Uma casa sem muito luxo, mas muito bonita, ampla, aberta e nos moldes que imaginamos quando pensamos em uma casa em Bali…

Tudo isso numa curta distância da praia de Seminyak…

Estabelecemos uma rotina “vida leve” durante a semana que ficamos por lá.

Seminyak
Vida leve…

Praticamente só pegamos tempo bom. Acordávamos e íamos tomar café da manhã geralmente num ótimo café que havia do lado de casa (Warung Kecil), antes de irmos para a praia. Na praia, tivemos que entrar no “esquema Seminyak” alugando as confortáveis cadeiras de praia pelo dia todo, sempre com nosso amigo Wayan*, que também era quem me alugava a prancha de surf para eu passar diariamente algumas horas no mar “sofrendo” para conseguir ficar alguns segundos equilibrado em cima dela. Ainda na praia, havia dias que eu corria um pouco no final da tarde, quando não havia bebido durante o dia.

Pôr do Sol em Seminyak
Pôr do Sol em Seminyak

Depois da praia, porque ninguém é de ferro, algumas vezes eu relaxava fazendo uma massagem (excelente e barata), cerca de 4 dólares a hora.

E nossa balada era beber em casa mesmo. Aliás, bebida alcóolica é uma das poucas coisas que não são baratas na Indonésia. Para driblar isso tomávamos geralmente cerveja ou vinho local (sim, eles conseguem produzir vinho por lá, nas montanhas).

Seminyak Party
Lounge na praia no fim de tarde

Mas balada realmente é o que não falta em Seminyak. Desde as pool parties que haviam durante o dia nos resorts, passando pelas baladinhas lounge no final de tarde na praia e terminando com grandes baladas virando a noite. Essas baladas somadas ao surf e ao baixo custo de vida em Bali são o que fazem de Kuta e Seminyak um destino muito famoso e procurado no Sudeste Asiático. Apesar dessas praias mais visitadas não serem tão belas assim, existe também em Bali praias lindíssimas, menos cheias e com areia branca, principalmente em algumas ilhas dos arredores.

Mas o que realmente Bali tem de extraordinário para oferecer ao mundo não se encontra em suas praias, mas sim no seu interior: uma outra dimensão chamada Ubud!!!

*Um parêntesis para registrar uma curiosidade muito interessante que ocorre em Bali. Os nomes das pessoas, independente de ser homem ou mulher, é dado pela ordem que a pessoa nasceu na sua família. De modo que o primeiro(a) filho(a) vai sempre se chamar Wayan, que significa primeiro nascido, e assim também ocorrerá para todos os outros filhos que vierem a seguir: Made (segundo(a)), Nyoman (terceiro(a)), Ketut (quarto(a)) e por aí vai… dá pra imaginar que a confusão é generalizada devido a limitação de nomes… acaba que todo mundo tem um aposto no nome. O Wayan da moto, o Wayan das cadeiras de praia, o Wayan das pranchas e assim por diante… e a grande maioria dos moradores locais que tivemos um contato mais próximo se chamavam justamente Wayan, então ficava mais fácil pra gente guardar os nomes!

 

…And a Perfect Day in Ubud…

A perfect day in Ubud
Uma outra dimensão chamada Ubud…

Não é exagero chamar Ubud de uma outra dimensão. O tempo por lá corre de forma diferente. Aliás, “corre” não é o termo apropriado, pois em Ubud ninguém tem pressa… a espiritualidade presente no ar te chama para refletir sobre o significado da vida. Recomendo a todas as pessoas que tirarem um período Sabático a passarem um período nesse Planeta criado pelos balineses para o mundo!

É incrível a “Meca” que se criou de pessoas de todas as partes da Terra que vêm para Ubud com um propósito de mudar/repensar sua vida. Nós éramos apenas “mais um” em meio a uma comunidade internacional que estava lá em algum estágio de transformação pessoal. E claramente isso nos cativou em cheio!!!

Em nossos planos futuros queremos voltar à Ubud para passar alguns meses inspirando esses ares. Locais de coworking (escritórios compartilhados) para pessoas que trabalham via internet têm em Ubud sua localização perfeita, visto que, além de tudo o que tentarei relatar abaixo, os custos de vida por lá são baixíssimos.

Co-working Ubud
Cafeteria de um dos locais de Co-working

Nessa pequena região formou-se algo tão extraordinário que é difícil de explicar. Misturou uma influência indiana (Yoga, Meditação, Hinduísmo e espiritualidades das mais variadas formas) + alguns aspectos da cultura local balinesa (como massagem, por exemplo) + um desenvolvimento quase que surreal da gastronomia “ultra-saudável”. Os templos Hindus ali construídos ao longo do tempo são tão numerosos que alguns deles acabaram sendo convertidos em habitação, preservando sua arquitetura externa. Inclusive “invadimos” uma vez essas casas-templos acreditando que era um local para visitação.

Ubud
Um dos diversos templos Hindus

Como uma forma de tentar transmitir a atmosfera que existe nessa outra dimensão, decidi fazer aqui uma brincadeira “sugerindo” como poderia ser um dia em Ubud. Mas seguindo o ritmo que se faz as coisas em Ubud, esse dia pode levar uma semana… que foi mais ou menos o meu caso…

Um dia perfeito:

8h: Você acorda na sua Villa para o seu café da manhã que já está devidamente servido pelo Wayan (o custo do homem/hora é tão baixo que no valor do aluguel da Villa já está incluso um funcionário para fazer o seu café da manhã e arrumar a casa diariamente – e nossa casa em Ubud ainda tinha até piscina!).

Villa in Ubud
Nossa deliciosa casa em Ubud

9h: Pega sua moto (vespinha) de 4 dólares a diária e vai para sua aula de Yoga. E você pode escolher dentre praticamente todas as linhas de Yoga desenvolvidas na Índia!!!

Bike Ubud
Nossa motinho pra 3… adaptação aos costumes locais.

10:30h: Decide cortar o cabelo (também por 4 dólares) com direito massagem capilar e nos ombros inclusos!

11:30h: Já que fez o cabelo, aproveita e vai em uma das casas de massagens para fazer o pé. Não faço o pé, mas em Ubud fazer o pé é um Ritual, que inclui obviamente uma massagem no pé (foot massage!)… tudo por 4 dólares!

Seeds of life
Prato mais pedido pela Xubis em Ubud: espaguetti de abobrinha

12:30h: Almoço em algum dos extraordinários restaurantes de comida vegana espalhados pelo centro e que no Brasil seria algo de alta gastronomia, mas em Ubud é quase o “arroz com feijão” deles. A nossa recomendação é o Seeds of Life, um dos melhores restaurantes do gênero no mundo!!!

Seeds of Life
Chico, o garoto-propaganda do The Seeds of Life

14h: Pega sua motinho e vai fazer um passeio nos Rice Fields ou no imperdível Monkey Forest!!!

Rice Fields
Rice Fields (campos de arroz)
Monkey Forest Sanctuary
Monkey Forest Sanctuary

17h: Cansado do passeio, chegou a hora de fazer uma massagem completa. Existem inúmeras variedades, mas sugiro a massagem tradicional balinesa para quem é chegado em uma massagem mais forte ou a massagem relaxante, que era a que eu preferia. Aqui também são 4 dólares a hora de uma das melhores massagens do Planeta! A “minha” massagista em Ubud (que chique escrever isso!!!) é a Ilo da Goutama Spa. Dá moleza só de lembrar…

ILO
ILO, a melhor massagista do mundo!

18h: Antes de voltar para casa para um banho, passe em um dos cafés locais para tomar um smoothie ultra-saudável de sua preferência. Pode aproveitar para fazer uma boquinha também se tiver com fome.

Round Bar
Round Bar, com o simpático dono ao fundo da foto.

Fim de tarde/Noite: Para quem quer curtir uma baladinha dá pra ir para um dos lindos bares de Ubud. Indicamos o Bar Redondo (Round Bar) onde você pode também jantar. Ou se quiser ir ainda mais a fundo no clima dessa “Meca” espiritual, você pode fazer uma Meditação Tibetana com bowls na Yoga Barn, uma experiência surreal!!! E pode jantar na própria escola depois da sessão.

Yoga Barn
Yoga Barn, uma das principais escolas de Yoga de Ubud

Sim, Ubud não é um turismo para todos os tipos de perfis, mas se você se identificou com esse prazeroso dia, pode incluir Bali na sua lista de lugares para conhecer, de preferência, bem antes de morrer… afinal, Ubud agregará mais tempo em sua vida e mais vida em sua existência!!!

2 Comentários Bali
Experiência que vale o Sabático

  1. Fernanda P 10 de fevereiro de 2016 às 19:44

    Nossa. Amei essa viagem. Muito obrigada pelo texto. Quando voce disse que muitas pessoas vao para encontrar consigo mesmas, me identifiquei bastante, porque estou pasando pela mina crise dos 20 anos e pouco haha Obrigada! Bali já está na minha lista de viagem.

    Responder
    1. Rafael Menezes 12 de fevereiro de 2016 às 00:23

      Olá Fernanda!
      Muito Obrigado pelo comentário! E que vc consiga encontrar consigo mesma!!!

      Responder

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