Como tudo começou pra mim

A Xubis (Tati Pavanello) diz que eu nasci querendo fazer um Sabático… Bom, vou admitir que sou um cara que adora ficar sem “fazer nada” e desde muito cedo me apaixonei por viajar, aliás, gostar de viajar é uma das poucas certezas que eu tenho nessa vida…

Porém, tenho também, entre outras características, o fato de ser uma pessoa idealista e sonhadora (dizem que as pessoas do signo de peixes costumam ter esse perfil…), o que tornava a idéia do sabático um tanto quanto utópica…

Sou formado em Administração de Empresas e minha primeira experiência profissional foi um trabalho não remunerado no qual eu administrava a empresa de consultoria dos alunos da faculdade (empresa júnior). E essa primeira prazerosa experiência foi determinante na minha vida e carreira, pro bem ou pro mal…

Com essa vivência na empresa júnior foi que eu decidi que o meu caminho profissional seria trabalhar em organizações que prestam serviços ou produzem algo concreto ao invés de entrar no mercado financeiro e apenas trabalhar pelo dinheiro.

Sabia que essa trilha iria me proporcionar uma remuneração menor mas isso seria compensado por essa satisfação e esse ideal de dar minha contribuição para a sociedade. O dinheiro pelo dinheiro nunca foi meu objetivo de vida. Eu queria esse algo mais que só as empresas poderiam me proporcionar…

E essa foi minha utopia profissional por um bom período da minha carreira. E eu era muito feliz com ela! Até que eu constatei, depois de muito tentar me enganar e não querer enxergar essa dura realidade, que no universo das grandes empresas, no fundo, no fundo mesmo, estamos lá apenas pelo dinheiro…

Tempo x dinheiroQuando meu mundo “desabou” eu já estava com a minha carreira em multinacionais em franca evolução. Entre começar do zero uma carreira no mercado financeiro ou continuar no mundo corporativo não havia mais muita diferença em termos financeiros. Então continuei na trilha que eu estava, trabalhando no mínimo 10 horas por dia, mas agora aguardando ansiosamente o final de semana chegar e sem o “brilho nos olhos” de antes…

Obviamente essa nova relação que eu criei com o meu trabalho não era uma situação sustentável para mim. Mas isso perdurou por um longo tempo, afinal, o ser humano tem esse dom de se adaptar a praticamente qualquer situação. Junte-se a isso o fato de que quanto mais tempo vc fica no mundo das organizações mais privilégios ($) ele te concede e mais difícil fica sair.

Pra mim estava claro que a única maneira de continuar buscando aquele “brilho nos olhos” seria montando a minha própria empresa.

O sonho de abrir minha própria empresa sempre me acompanhou. Cheguei a prospectar algumas idéias, nenhuma efetivamente saiu do papel, mas depois de estabelecer essa relação fria com as empresas que eu trabalhava, abrir meu próprio negócio virou uma questão fundamental para mim, um projeto de vida…

Espiral / Círculo ViciosoMas o tempo passava e a equação não fechava. Eu ganhava mais estando empregado do que qualquer um dos Business Plans que eu fazia. Queria ir atrás dos meus ideais, mas trocar mais dinheiro por menos dinheiro não parecia uma decisão fácil e muito menos lógica para um administrador financeiro.

Estava no melhor momento da minha carreira, com o maior salário da minha vida, quando então o Chico nasceu. Tudo levava para que eu e a Xubis (que também estava em situação semelhante) fossemos mais dois a serem dragados em definitivo para dentro desse círculo vicioso até o final de nossos dias “produtivos”: a tão sonhada aposentadoria, por volta dos 65 anos…

Mas aí que veio a grande decisão! E foram dois pontos cruciais:

  1. Temos a convicção de que não queremos parar aos 65 anos, pelo contrário, queremos e precisamos trabalhar depois disso!!! E o mundo atual das organizações não é lugar para quem está aposentado…
  2. Estávamos ganhando mais dinheiro do que precisávamos para viver. E a tendência seria ganhar ainda mais. Mas para quê? Nos faltava tempo para usufruir disso…

E foi então que finalmente a equação fechou!!! Nós não precisamos montar uma empresa para ganhar o que eu ganhávamos… Vamos buscar montar um negócio que nos renda o suficiente para vivermos, mas com o qual possamos trabalhar menos, e com o bônus de estar ocupado com algo que esteja genuinamente alinhado com as nossas crenças.

Não temos ainda nenhum negócio montado, mas eu já tenho a minha meta pessoal estipulada: conseguir nos sustentar com uma média de 4 horas de trabalho por dia.

Sim, iremos reduzir, financeiramente falando, nosso padrão de vida. Porém, essa nova vida que ainda estamos desenhando irá ser muito mais leve, mais simples (no melhor sentido da palavra – buscando as poucas coisas importantes da vida), e, consequentemente, com mais significância.Viajar

Mas antes de iniciarmos plenamente esse novo estilo de vida, visto que conseguimos acumular uma reserva nesses últimos anos trabalhando no mundo corporativo, nós decidimos que vamos em busca dessa transformação em nossas vidas fazendo uma das melhores coisas que existe: Viajar (e com o nosso bebê, o Chico)!!!

Nesses 1,5 anos do período sabático queremos explorar o mundo com esse olhar por uma vida mais leve…

Além de contarmos sobre as nossas experiências nas viagens e como é dar a volta ao mundo com um bebê, queremos fomentar também a discussão sobre formas melhores (mais leves) de se viver no mundo de hoje. Um mundo que se focou (ou se perdeu?) no dinheiro…

Para mim é muito claro que quando compramos algo não pagamos com dinheiro e sim com o tempo que despendemos para ganhá-lo. Portanto, se quisermos adquirir muitos bens, como é o caso da nossa sociedade atual, temos também que despender muita vida para possuí-los. Logo, quanto menos desejos materiais tivermos, mais tempo livre poderemos ter para, de fato, viver a vida.

E a vida é um bem que ninguém pode comprar. Nem o homem mais rico pode comprar a sua própria vida de volta. A vida é, verdadeiramente, a nossa maior riqueza!

Portanto, na contramão desse “fanatismo-radical” que se criou em torno do dinheiro, estamos rompendo com isso para irmos em busca de nos tornarmos verdadeiramente ricos…

A história continua aqui

22 Comentários Como tudo começou pra mim

  1. Priscila 12 de outubro de 2015 às 15:34

    Isso aí Rafa e Tati, compartilho do mesmo ideal de vcs, ainda com muitos medos e inseguranças mas vou chegar lá!!!!! Abraços amigos!

    Responder
    1. Rafael Menezes 13 de outubro de 2015 às 15:56

      Que ótimo Priscila!!!
      Vamos dividir aqui também nossos problemas, dificuldades, medos e inseguranças. Talvez isso te ajude no seu caminho!
      O que nos deu bastante confiança para essa mudança foi ter feito um bom planejamento e tudo com muita calma, dando tempo ao tempo.
      Muito Obrigado por seguir a gente!!!
      Um beijo e aguardo notícias do Pedro!!!

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  2. Monise Roder 13 de outubro de 2015 às 00:19

    Adorei a mensagem! Realmente nos faz pensar sobre a vida é o que queremos dela! Um gde bjo e PARABÉNS!

    Responder
    1. Rafael Menezes 13 de outubro de 2015 às 15:43

      Obrigado Monise!!! Fico muito feliz que tenha gostado!!! Um beijo!

      Responder
  3. Luiz Luz 13 de outubro de 2015 às 10:36

    Extremamente inspirador!
    É uma alegria poder partilhar dessas dádivas!
    Parabéns.. abraços.
    E blog atualizado hein!rs

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    1. Rafael Menezes 13 de outubro de 2015 às 15:46

      Valeu Luiz!!!
      Feliz demais com seu comentário!!! Vc sempre nos incentivando a compartilhar nossas experiências!!!
      Muito Obrigado!!!
      Um abraço!!!

      Responder
  4. Tininha 14 de outubro de 2015 às 00:54

    Que demais Rafinha !!! Que decisão incrível, parabéns!!! É isso aí, por uma vida mais leve! Estamos todos aqui acompanhando o blog e torcendo por vocês! Beijos!!!

    Responder
    1. Rafael Menezes 14 de outubro de 2015 às 13:24

      Olá Tininha!!!
      Muito Obrigado por escrever aqui e pela torcida de que a gente encontre uma forma de vida mais leve!!!
      Saudades!!!
      Um beijo pra vc e pro seus “3 meninos”!!!

      Responder
  5. Jean 14 de outubro de 2015 às 03:12

    Olá Rafael!!

    Agaurdo atualizações… Seu texto é muito inspirador. Espero que encontre o que procure, e incentive mais pessoas a fazer o mesmo.

    Responder
    1. Rafael Menezes 14 de outubro de 2015 às 14:21

      Olá Jean,
      Muito obrigado pelo seu comentário!!! Isso só nos incentiva ainda mais em ir em busca desse novo modo de vida!!!
      E incentivar outras pessoas a fazer o mesmo (ou parecido) é o grande propósito de termos montado esse Blog!!!
      Como não temos o seu contato via Facebook, proponho que assine a nossa Newsletter (fica no rodapé direto do Blog). Assim, a partir do próximo mês vc passará a receber um email nosso (1 ou 2 vezes por mês) com os principais posts que rolaram aqui no Blog. Seria a melhor forma de vc não esquecer da gente… hehehe
      E fique a vontade também para me adicionar no Facebook!
      Até mais!

      Responder
  6. Renata 14 de outubro de 2015 às 11:21

    Rafa e Tati, muito lindo e inspirador, o texto nos faz pensar no ciclo que colocamos nossas vidas ” mais bens materiais=menos tempo”, parabéns pela coragem e aproveitem o período sabático… Atualizem sempre o blog …. Bjs

    Responder
    1. Rafael Menezes 14 de outubro de 2015 às 15:42

      Muito Obrigado pelo comentário Renata!!!
      Exatamente!! Queremos girar essa roda ao contrário: menos bens materiais=mais tempo.
      Um beijo!

      Responder
  7. Ana Brandt 14 de outubro de 2015 às 22:16

    Sensacional! Afinal, o que levaremos dessa vida? Levaremos apenas a ALMA, então… O melhor que temos a fazer é cuidar bem dela! É isso aí, vou acompanhar seu blog e torcer para que vocês tenham “uma vida mais leve” .

    Responder
    1. Rafael Menezes 15 de outubro de 2015 às 11:14

      Muito Obrigado Ana!!!
      E vamos todos cuidar bem da alma, que é realmente o que se tem de melhor a fazer por aqui!!!
      Um beijo e agradecemos a torcida!

      Responder
  8. Raquel Mayumi 15 de outubro de 2015 às 20:31

    Ter Sabáticos ao longo da vida é uma filosofia a ser levada a sério! 😉
    Minhas boas energias para uma incrível jornada!
    Brilhem!

    Responder
    1. Rafael Menezes 16 de outubro de 2015 às 08:59

      Muito Obrigado pelas boas energias Raquel!!!
      Realmente, se as pessoas desejarem e planejarem, fazer um Sabático (ou mais de um) está ao alcance de muita gente!
      Nosso grande desejo, no fundo, é fazer um Sabático e depois implementar um novo modo de vida, do qual não necessitemos tirar mais Sabáticos… 🙂
      Contamos com suas boas energias durante esse processo para conseguirmos alcançar esse grande objetivo!

      Responder
  9. Andresa 18 de outubro de 2015 às 00:33

    Muito bom o texto!
    Descrição perfeita de nossa preferência em “não querer enxergar” diante da busca desenfreada de sempre querer, e ter, mais do que aquilo que nos é necessário!!!
    Parabéns a você e a Tati pela coragem… Felicidades aos três!

    Responder
    1. Rafael Menezes 20 de outubro de 2015 às 09:10

      Olá Andresa!
      Muito Obrigado pelos elogios e pelo desejo de felicidades!
      Desde quando nos demos conta de que não precisávamos ter mais do que aquilo que já tínhamos, nossa relação com esse modo de vida “desenfreado” sofreu uma ruptura e há alguns meses atrás conseguimos finalmente dar um grande passo para tentar mudar isso, com nossa demissão, a saída para dar a volta ao mundo e o Viva Bossa…

      Responder
  10. Gabriel Siqueira 27 de outubro de 2015 às 02:19

    Fala Rafa!

    Parabéns pela escolha. Mais um ex-FEAno maluco que largou a corrida dos ratos! Tamo junto! É possível empreender na vida, sem criar empresa nenhuma, e viver a vida mais coerente com o que a gente acredita.

    Não é fácil tomar essa atitude. Assumir as consequências dela também não. Mas quem quer vida fácil né? Coisa mais sem sal…

    Boa sorte na jornada!

    Abração,

    Responder
    1. Rafael Menezes 29 de outubro de 2015 às 09:31

      Grande Gabriel ex-Dread ex-Chê!!!
      Muito contente que vc comentou por aqui no Blog!!!
      Excelente comentário, por sinal! Obrigado!!!
      Queria ver se conseguimos nos encontrar em algum momento pra vc me passar alguns “atalhos” desse mundo que pra mim é novo (empreendedorismo coerente com o que acreditamos).
      O Pedrão (ex-FEAno maluco) também tem algumas figurinhas que ele gostaria de trocar contigo pois ele está montando uma comunidade autônoma na Amazônia.
      Vamos ver se conseguimos armar esse encontro!!!
      Um abraço!

      Responder
  11. Fernanda P 10 de fevereiro de 2016 às 19:21

    Voces sao de que ciudade?

    Responder
    1. Rafael Menezes 12 de fevereiro de 2016 às 00:20

      Olá Fernanda!
      Eu nasci em São Paulo e a Xubis nasceu em Vinhedo. Antes de iniciarmos essa transformação estávamos morando em Vinhedo-SP.

      Responder

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