Kanazawa
Pra fechar o Japão com chave de ouro

Kanazawa por ele

Após termos passado por Tóquio, Kyoto e Hiroshima, cheguei sem nenhuma expectativa em Kanazawa. E, claro, que o Japão ainda tinha algumas cartas na manga para nos apresentar. Já estávamos completamente apaixonados por esse país e tudo que tínhamos vivenciado até então, mas Kanazawa conseguiu colocar ainda mais tempero nessa nossa relação!

Desde o momento em que pisamos aqui fomos muito bem recebidos!

Bela estação de trem de Kanazawa
Bela estação de trem de Kanazawa

De cara, ao chegarmos, nosso anfitrião do Airbnb foi nos buscar na bela estação de trem de Kanazawa e nos levou de carro para a casa que ficamos hospedados, dando dicas e informações sobre a cidade.

Existem diversos locais turísticos em Kanazawa, porém a cidade não está tão acostumada com visitantes estrangeiros. A construção da linha do trem bala é recente na cidade (inaugurada em 14/Março/2015) e agora que começa a atrair uma quantidade maior de turistas de fora do Japão, dado a conveniência do sistema do Shinkansen.

Sendo assim, o ambiente que encontramos em Kanazawa foi uma agradável mistura da gentileza nata do povo japonês com a hospitalidade de uma cidade do interior, mesmo com seus quase 500 mil habitantes. O fato é que fomos muito bem tratados por todos em Kanazawa!

O destaque e carinho mais especial ficou por conta do dono de um restaurante tradicional local (ao lado de onde estávamos hospedados) que nos fez passar pela maior imersão na culinária japonesa que tivemos em toda a nossa passagem pelo Japão!!! Esse jantar foi uma experiência gastronômica magnífica!!! Inesquecível!!! Tivemos uma verdadeira aula de comida japonesa clássica: sushi, sashimi e todos os seus derivados!

Enguia
Enguia

Ele nos fez experimentar de tudo. Comemos, por exemplo, enguia, algas curiosíssimas, noodles gelado, caracol!!!. Comparamos 3 tipos de wasabi/raiz forte, sendo que o melhor disparado é aquele em que a raiz é ralada na hora, o wasabi mais fresco e saboroso possível, e até menos picante.

Muitas vezes usando da estratégia “experimenta primeiro que depois eu te falo o que é”, ele também nos “obrigou” a comer cada iguaria da maneira correta/tradicional, como por exemplo, não utilizar o hashi para comer o sushi e sim as mãos, e com o peixe para baixo e arroz para cima (de ponta cabeça se comparado como se costuma comer no Brasil). E a explicação para se comer dessa forma é muito lógica: o peixe encostar na língua ao invés do arroz é para sentir o gosto do peixe, o ator principal! E pouco shoyo, claro!

Saímos em êxtase com esse contato tão íntimo e profundo com a cultura local. São essas as coisas que talvez mais me agradam em viagens: um encontro casual, despretensioso, nada turístico e ao mesmo tempo tão típico do local que se está visitando. São coisas que não se consegue planejar em uma viagem, mas que com um pouco de sorte, desbravamento e abertura pode vir a ocorrer com uma frequência interessante.

Restaurante local em Kanazawa
Restaurante onde tivemos nossa maior experiência gastronômica no Japão. Tão local e tradicional que somente existe nome em japonês.

Em Kanazawa, diferente das outras cidades que visitamos, no transporte público quase não havia indicações com placas em “inglês” (nomes em japonês mas escrito em alfabeto romano). O jeito nessas situações é “se virar” como pode, mas nesse caso contando sempre com a simpatia dos moradores, que mesmo não falando inglês tentam sempre achar uma maneira de ajudar.

Omicho MarketUm bom local para passear pelas ruas, onde se encontrará bons estabelecimentos comerciais e restaurantes, é ao redor do mercadão central Omicho Market. Foi no bom shopping center subterrâneo dessa região que experimentei o tradicional e excelente Waigyu beef. Ainda mais que fazia 3 semanas que eu não comia carne vermelha… Mas ainda acho que o valor que se paga no Brasil por essa carne não compensa… temos melhores custo/beneficio no Brasil.

O mercado central Omicho Market, apesar de muito menor que o de Tóquio, tinha suas vantagens. Muito mais agradável e tranquilo. Havia uma atenção também muito maior por parte dos donos dos estabelecimentos. Os frequentadores são basicamente os moradores, o que mostra ainda mais nua e crua (principalmente crua! 🙂 ) a realidade do que se é consumido pelo povo japonês.

Visitamos o reconstruído Castelo de Kanazawa, que de tão recém construído cheirava a madeira nova… Nesse caso, recomendamos a visita apenas por fora do Castelo (gratuita) e muito bonita. A foto que ilustra esse post é em um dos portões dos arredores do Castelo. Por dentro foi uma decepção, sem muitos atrativos…

Kenrokuen Garden
Kenrokuen Garden, tudo o que você busca em um Jardim Japonês…

Visitamos o “jardim japonês” mais bonito e tradicional que vimos nessa nossa passagem pela terra do sol nascente: chama-se Kenrokuen Garden. Imperdível! A Xubis está muito segura em dizer que aqui é que tiram as fotos de jardins japoneses para usar como imagem daqueles quebra-cabeças lindos que se vendem no Brasil… hehehe

Ochaya Shima
Ochaya Shima: exposição de alguns instrumentos tocados pelas gueixas.

Outra visita imperdível é conhecer o bairro Higashi Chaya, o antigo bairro das gueixas de Kanazawa. Aparência mais tradicional e preservada que o bairro de Gion de Kyoto. Foi também nossa preferência entre os bairros de gueixas que conhecemos no Japão! Lá se pode visitar uma tradicional casa de chá de 200 anos atrás, conservada, que agora funciona como uma espécie de museu: Ochaya Shima. Vale muito a pena a visita. Outro local interessante em Higashi Chaya, é o Kaikaro. Uma casa de chá ainda em funcionamento e com apresentações esporádicas de gueixas, que infelizmente não conseguimos participar pois não havia evento naqueles dias que ficamos em Kanazawa.

Higashi Chaya
Higashi Chaya

Visitar e respirar esses ares extremamente tradicionais e preservados dos bairros de gueixas, que sempre rondaram meu imaginário quando pensava em Japão, foi realmente para fecharmos a nossa visita com chave de ouro!!!

Sayonara Nippon!!!

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