Kuala Lumpur
Nasi Goreng, multiculturalidade e reflexões…

KL por ela

Depois de uma semana em Pequim, onde tivemos uma experiência ruim em grande parte por causa das pessoas pouquíssimo receptivas, muito egoístas e nada empáticas, chegar na Malásia foi quase como chegar em casa…  Já nos primeiros contatos no aeroporto sentimos aquele conforto afetivo vindo de pessoas gentis e com boa vontade de ajudar… E como se não bastasse, quase todo mundo fala inglês!

A nossa felicidade em ter contato com esse “clima” logo de cara já nos fez refletir sobre como só damos o real valor às pequenas coisas da vida quando não temos… E gentileza, educação e empatia (e higiene!) são algumas dessas coisas que tanto sentimos falta na China e aqui em Kuala Lumpur encontramos de sobra – e valorizamos muito mais!

Amyr Klink

Dia 1: Destino Kuala Lumpur

Pra fechar a China com chave de “ouro” tivemos problemas no check in para a Malásia com a companhia aérea Air Asia… Não tínhamos comprado bagagem despachada quando compramos nossa passagem e tivemos que pagar na hora em moeda local – toca trocar dinheiro de novo porque já tínhamos acabado com nossos yuans… O óbvio que esta compra de última hora custou caríssimo e tivemos que pagar praticamente como se tudo fosse “excesso” de peso pois não tínhamos comprado o embarque de nenhum kilozinho sequer. A cena mais engraçada foi eu e o Rafa tentando diminuir o peso da mala transferindo coisas para a mochila até quase explodir… Ajudou, mas ainda assim levamos um belo prejuízo… Aprendizado: na Ásia (e depois descobrimos que na Oceania também), sempre tem que comprar o peso necessário da bagagem que será despachada!

Enfim, perrengue resolvido, embarcamos as 02h da madrugada para um vôo de mais de 6 horas até Kuala Lumpur.

Chegamos na Malásia de manhã e logo de cara fomos muitíssimos bem recebidos pelas pessoas que trabalham no aeroporto (aliás, um aeroporto lindo!). Um cara nos deu uma “carona” em um carrinho elétrico do desembarque até a imigração, porque estávamos com o Chico! Demais! Depois da China ainda, sensacional!!!

Trocamos dinheiro e fomos de trem até a estação central da cidade, e de lá pegamos um taxi até nosso apartamento.

E mais uma surpresa boa: nosso apartamento (AirBnb) era incrível!! Já tínhamos uma idéia pelas fotos, claro, mas a vida real é sempre uma expectativa… E dessa vez fomos surpreendidos positivamente!

Nosso apartamento em KL!
Nosso apartamento em KL!

A moeda na Malásia tem o mesmo valor do Real frente ao dólar, e em geral tudo é mais barato que no Brasil, ou seja, câmbio local estava favorável para nós! Em tempos de dólar a R$4 temos que aproveitar estas oportunidades…

Ficamos em casa o resto do dia, curtindo o apartamento, o Chico, a vida…

Dia 2: Hop on, Hop off

Dentro do Hop on Hop off
Dentro do Hop on Hop off

Como tínhamos poucos dias aqui resolvemos embarcar nesses ônibus turísticos Hop on Hop off, para ter uma visão geral da cidade.

Nari Goreng: viciamos!
Nari Goreng: viciamos!

Almoçamos o famoso e ótimo Nasi Goreng, um prato super típico no sudeste asiático e bem tradicional aqui na Malásia, que é um tipo de fried rice (arroz frito) com legumes, frango e ovo. Arroz é o principal ingrediente aqui, então a maioria dos pratos que se vê é baseado em arroz.

Kuala Lumpur possui bairros bem específicos de acordo com a ascendência das pessoas. Tem o Bairro Árabe, o Little India e o China Town, todos bem característicos! Arquitetura, idioma, pessoas, vestimentas, mesquitas, templos hindus e budistas, um pouquinho de cada país em cada bairro!

A Malásia como um todo é formada por pessoas vindas destes diversos locais (Oriente Médio, Índia, China e Norte da África) e do próprio povo nativo malaio e atualmente é um país de maioria muçulmana – inclusive só muçulmanos são contratados para trabalhar no governo ou em qualquer serviço público!

E umas das coisas mais interessantes de se ver aqui é a convivência extremamente pacífica entre estes povos tão diferentes em suas origens, crenças e hábitos! Eles vivem em bairros separados, mas no dia-a-dia se misturam muito e tudo parece uma Torre de Babel! É sensacional de se ver!

Trânsito em Bukit Bintang
Trânsito em Bukit Bintang

Um lugar muito legal aqui é o bairro Bukit Bintang, cheio de lojas, bares, restaurantes e muita badalação!

O tour do ônibus demorou 2,5 horas, e acabamos ficando mais tempo no trânsito congestionado do centro do que vendo os pontos interessantes da cidade de fato! No final o Chico estava super impaciente e nós super entediados. Não recomendo esse passeio… em geral esses ônibus não valem a pena (com exceções, claro), e aqui isso se provou mais uma vez.

Mas uma cena marcou muito esse programa: uma família típica muçulmana estava dentro do ônibus com a gente, e mais algumas poucas pessoas. Pai e filhos de bermuda e chinelo, fazendo jus ao calor úmido de 35 graus que fazia, e a mãe vestindo uma burca preta, daquelas que só deixam os olhos aparentes, provavelmente derretendo lá embaixo. Eu e esta mulher nos entreolhamos com uma certa angústia no ar, gerados pela tamanha diferença de valores e crenças entre nós duas, diferença esta representada por nossas roupas (eu de shorts, blusinha e havaiana, morrendo de calor, e ela completamente coberta com uma burca preta).

Foi tão interessante e ao mesmo tempo tão angustiante para mim vê-la daquele jeito (talvez ela tenha sentido o mesmo por mim) que percebi em mim mesma um preconceito que me fez instantaneamente sentir revolta por esta mulher estar sendo tão submissa e aceitar tantas imposições na vida, julgando-a como se os meus valores fossem os corretos. E logo depois que meu espírito feminista baixou a guarda, esta situação me fez refletir sobre o óbvio e racional fato de “quem sou eu para julgá-la e criar a suposta verdade que ela se sente submissa?”

Enfim, tanto esta cena quanto outras várias que vivemos nesta viagem pela Ásia me trazem a certeza que mais uma vez Amyr Klink estava certo dizendo que “um homem precisa viajar pra quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como imaginamos, e não como verdadeiramente é”. Viagens longas e seus efeitos terapêuticos…

Uma das mesquitas da cidade
Uma das lindas mesquitas da cidade
National Textile Museum
National Textile Museum

Na volta pra casa passamos no mercado e novamente para cada lado que olhava parecia que estava em um país diferente! Incrível!!

Dia 3: Petronas e KLCC

Rafa e Chico no KLCC, com as torre-gêmeas ao fundo
Rafa e Chico no KLCC, com as torre-gêmeas ao fundo

Fomos de táxi até as famosas torres Petronas, as maiores torres-gêmeas do mundo, talvez o ponto turístico mais conhecido daqui. Por fora são lindas, mas nada mais são do que prédios altíssimos com uma arquitetura interessante.

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KLCC

As torres fazem parte de uma área grande no centro que também tem um um shopping super luxuoso (Surya) e um parque muito bonito (KLCC = Kuala Lumpur City Center).

O parque é uma delícia, tem muito espaço pra crianças, mas estava tão calor e tão úmido que não conseguimos ficar muito ao ar livre…

Almoçamos no shopping mesmo, que tinha uma praça de alimentação sensacional! Uma mistura incrível de restaurantes de diversas origens, principalmente chineses, indianos e árabes!! E escolhemos mais uma vez o Nasi Goreng!

Passeamos um pouco mais e voltamos pra casa pra curtir a piscina do prédio – programa delícia com o Chico neste calor – e arrumar de novo as malas depois de uma passagem rápida pela Malásia! E desta vez saindo do país por terra rumo a Singapura a partir da excelente estação de ônibus de KL! Uma viagem tranquila mas longuíssima: 350km em mais de 8 horas definitivamente não é uma boa opção quando se está com um bebê (conto mais no post de Singapura!).

Vista da piscina do prédio
Vista da piscina do nosso prédio

Resumo da minha experiência em Kuala Lumpur:

A Malásia é uma sociedade multicultural onde o povo nativo malaio convive pacificamente com chineses, indianos e árabes que elegeram o país para viver.

E isso é o melhor pra se ver aqui em KL! Olhar para um lado e se sentir na Índia, para outro e se sentir no Oriente Médio, e no final ver que todo mundo vive muito bem junto e misturado!

E toda esta mistura de povos e culturas tão diferentes e distantes da nossa me fizeram viver uma terapia intensiva sobre como lidar internamente com um certo preconceito e o costume de pré-julgar coisas e pessoas de acordo com minhas próprias verdades. Ver mulheres vestindo burcas ou mesmo lenços me incomodou muito! Quase metade da população é muçulmana, o que faz com que seja uma cena absolutamente normal uma mulher totalmente coberta sob um sol de quase 40 graus! E isso me incomodou porque, na minha cabeça e segundo meus valores, significa submissão e passividade. Mas como afirmar que de fato estas mulheres todas são submissas? Não sei suas verdades, suas rotinas, suas histórias. E respeitar as diferenças sem um olhar preconceituoso tem base exatamente nisso, cada um tem sua história e sabe de si, sabe a dor e a delícia de ser o que é.

E não existe verdade quando se trata de questões culturais!

Destaques da nossa viagem

– Bairro Bukit Bintang: divertidíssimo!

– Torres Petronas e o parque KLCC

– E o mais especial, ver pessoas tão diferentes entre si e tão diferentes de nós convivendo pacificamente, em uma cidade acolhedora, onde se aprende que simpatia e respeito ao próximo podem ser a chave para a paz!

Para mais detalhes da nossa experiência com bebê em Kuala Lumpur, contamos tudo lá no ChicoOnTheRoad!

Próxima parada: Singapura!

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