Kyoto
A mais bela história japonesa está guardada aqui

Kyoto por ele

Kyoto (ou em português correto: Quioto) e seus arredores é a região onde está preservada a maior parte da linda história e tradição do Japão.

O Japão sempre foi um país bélico até exatamente o final da 2a Guerra Mundial, mas as histórias de guerra do Japão não são bonitas de se contar e nem estão presentes em Kyoto. Porém, numa dessas éticas de guerra (é cada uma que o ser humano inventa e se apega…) existe uma “cordialidade” de que deve-se evitar ataques a hospitais, escolas, alvos puramente civis e, entre outras coisas, cidades de valor cultural e histórico. E foi exatamente isso que salvou Kyoto, principalmente na 2a Guerra, onde essa cidade estava na lista para ser alvo de uma das bombas atômicas, mas foi poupada por essa questão “ética”.

Kyoto já foi capital do Império Japonês por mais de 1.000 anos e, portanto, o maior centro cultural desse período. Kyoto e sua cidade vizinha Nara possuem uma quantidade infindável de Templos e Shrines espalhados para todos os lados (são mais de 1.600). Os Templos em geral são de culto Budista e os Shrines (Santuários) são Xintoístas. Ambos com arquiteturas maravilhosas e até certo ponto semelhantes, utilizando muita madeira na construção, sendo muito fácil nos confundirmos.

E essa “confusão” não é à toa. A própria história do Budismo e Xintoísmo no Japão estão estreitamente ligadas, uma tendo influenciando a outra, sendo o Xintoísmo a espiritualidade mais antiga. Porém, o mais comum é o japonês se dizer seguidor de ambas religiões, inclusive tanto Budismo quanto Xintoísmo não pedem exclusividade aos seus seguidores. Mais um grande exemplo do povo japonês para o mundo!

Torri in Kyoto
Torii

Mas uma maneira para distinguir os templos é: quando há uma pagoda é um Templo Budista e quando há um torii (aquele “portal” japonês – foto acima) é um Shrine, apesar que nem sempre esses símbolos estão presentes…

Ficamos uma semana em Kyoto, e entrar e sair dos templos é uma das principais coisas a ser fazer.

Golden Pavillion
Golden Pavillion (Rokuan-ji)

E alguns Santuários e Templos são imperdíveis! Um dos mais famosos era do lado da casa onde ficamos (que aliás era longe de quase tudo), o Kinkanju Temple ou Rokuan-ji (conhecido em inglês como Golden Pavillion) é um templo zen-budista da época de 1.397, realmente deslumbrante!

Outra visita obrigatória é ir ao Monte Inari (extremo sul de Kyoto) e visitar o Fushimi Inari Taisha com mais de mil vermillion toriis, que simboliza a transição para o sagrado. Passar por todos os mais de mil toris é uma atividade para quem está muito em forma e disposto a subir uma longa trilha, mas caminhar pelas primeiras centenas de metros desse caminho, passando por essa obra de arte que acabou sendo criada pela sequencia dos toriis vermelho-alaranjados (vermillion), nos remete realmente a uma passagem para outra dimensão…

Senbon Torii
Milhares de toriis e a transição para o sagrado…

E por falar em uma outra dimensão, em Kyoto existe o Bairro Gion, antigo distrito das gueixas. E por ser numa região central e tradicional acaba sendo muito comum ver mulheres japonesas de outras cidades que vêm visitar Kyoto vestidas com as vestimentas tradicionais que principalmente as gueixas tornaram mais conhecidas para o ocidente. Elas fazem isso como uma forma de celebrar as tradições japonesas. Com isso, transitar pelo antigo bairro das gueixas e se deparar com mulheres vestidas “a caráter” é quase uma viagem no tempo!

Parque Maruyama
Mulheres japonesas vestidas “a caráter” no Parque Maruyama

Nesta região, em um dos cruzamentos mais movimentados, está localizado o Yasaka-jinja Shrine e seu lindo Parque Maruyama. Também nessa região, entre vários outros “Shrines” interessantes para se conhecer, tem dois Templos um ao lado do outro chamados Chion-in + Shoren-in que acabamos não entrando pois foram tantas “distrações” que quando chegamos já estava fechando, mas que visto de fora é bastante imponente.

Chion-in
Chion-in visto por fora

Na região leste de Kyoto, tem o também muito visitado e interessante Kiyomizu-dera. Fôlego para a subida da ladeira até chegar nesse Templo. A sua construção principal de mais de 13 metros de altura toda em madeira não usou um único prego sequer. Mas o que mais me marcou no Kiyomizu-dera foram as três correntes de água (amor, longevidade e sucesso nos estudos). Quem visita pode beber de uma ou de todas essas três fontes, que trarão a quem beber respectivamente amor, longevidade ou sucesso nos estudos. Porém, beber das três fontes é sinal de ganância, muito mal visto pela cultura budista e japonesa. E, realmente, as pessoas faziam fila para beber da fonte e todas só escolhiam uma das fontes para beber da sua água! É mais uma prova da cultura diferenciada desse povo!

as fontes de Kiyomizu-dera...
As fontes de Kiyomizu-dera…

Numa cidadezinha chamada Himeji, cerca de 1,5 hora de Kyoto, tem o famoso e super concorrido Castelo de Himeji. E do Castelo em si não temos nada o que contar pois a fila para entrar nele era de 2,5 horas e, com o Sol escaldante que fazia, decidimos não encarar. Portanto, a nossa dica aqui é vá cedo pela manhã para evitar esse transtorno. O Castelo por fora é lindíssimo e ficamos decepcionados (eu muito mais do que a Xubis) por não ter conhecido por dentro.

Castelo de Himeji
Castelo de Himeji

E, por fim, uma outra cidade que deve-se chegar cedo, não pelo fato de evitar filas, mas porque possui diversas atrações que praticamente não cabem em um dia é Nara. Tem que ser um dia que você esteja disposto pois será intenso!

Nara Park
Chico brincando com os bambis que ficam soltos no Nara Park

De jardins japoneses maravilhosos à maior construção de madeira do mundo para abrigar o maior Buda de bronze do Japão, Nara é uma visita realmente imperdível!!! Para nós o que ficou mais marcado foi a visita ao primeiro templo Budista do Japão, de 538. O Templo Gango-ji em termos de construção em si, não tem nada de tão imponente, mas a energia do lugar e sua história são os grandes destaques. Fomos felizes ainda, graças mais uma vez ao Chico, que encanta as pessoas por onde passa, e conhecemos os curadores do templo, um casal que mora no próprio templo (imagina a honra de ser budista e morar no 1o templo budista do Japão, um local com quase 1.500 anos de história!?). Especialmente a moça foi de uma atenção e gentileza conosco que saímos ainda mais encantamos com o lugar, que eu já estava achando incrível. Ela nos contou detalhes de tudo, falando até mesmo de especificidade das flores que estavam brotando naquela época, flores de outono, no caso.

Gango-ji
Gango-ji, o 1o templo budista do Japão

Kyoto, apesar de grande (1,5 milhão de habitantes), preserva uma atmosfera de uma cidade pacata, com suas diversas bicicletas e ciclovias que dividem as calçadas com os pedestres, muitas pessoas transitando à pé, extremamente adaptada ao turismo, poucos edifícios altos e com os moradores passando pela manhã em uma das diversas boulangeries para comprarem seu pãozinho… não sei como isso começou, mas essa tradição francesa já é parte da cultura japonesa, principalmente em Kyoto. E usamos e abusamos das deliciosas boulangeries espalhadas pelo Japão!

Em resumo, Kyoto (incluindo seus arredores) é visita obrigatória para quem vai ao Japão e quer entrar em contato com a parte mais maravilhosa e milenar de sua história!

3 Comentários Kyoto
A mais bela história japonesa está guardada aqui

  1. gisa 15 de novembro de 2015 às 20:27

    O templo e local onde mestre usui descobriu o reikibfica em kyoto e possível chegar lá e subir as montanhas,achei bem.mais legal que ver o castelo de ouro,porque não e algo tão famoso.Então havia bem menos pessoas e um agradável dia subindo montanhas.Espero que tenham ido a Hiroshima,considero lá a prova de que japonês sabe se reerguer como ninguém…

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    1. Rafael Menezes 17 de novembro de 2015 às 09:18

      Olá Gisa!
      Muito obrigado mais uma vez pelo comentário!
      Sempre agregando aos nossos posts!
      Fomos sim para Hiroshima!
      Dê uma olhada em breve nos nossos relatos sobre Hiroshima e aguardamos o seu comentário por lá também… 🙂

      Responder

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