Los Roques
O verdadeiro significado de beleza minimalista

Los Roques por ela

A

minha pesquisa de Los Roques foi longa e trabalhosa. Tenho alguns sites e blogs que confio e uso muito como referência (por ex. O Viaje na Viagem), e em todos eles Los Roques estava descrito como paraíso, maaas…. antes de chegar a este pedacinho quase puro de Caribe tem que dar uma passadinha por Caracas! E é aí que o bicho pega… Devido a situação política e econômica dos nossos vizinhos esta cidade está extremamente insegura e caótica (o país todo na verdade, o Rafa postou um texto sobre isso!).

Todos os artigos que li, sem exceção, nos recomendavam viajar para Los Roques com alguma agência de turismo, já que é praticamente certo que passaríamos por algum perrengue no percurso.

Além disso, não existe reserva online das pousadas de lá, e nem se compra a passagem do trecho Caracas – Los Roques através de algum site. É tudo por email, com informações confusas e uma comunicação muito difícil e demorada… Pois bem, com receio dos potenciais perrengues (principalmente por causa do Chico) e apesar de ter aversão a agências de viagens, resolvi cotar com uma operadora especializada em Los Roques. Mas ainda assim mantive ativa minha busca pelas cotações avulsas na esperança de que conseguiríamos ir por nossa própria conta, como sempre fazemos. E os dias foram passando, meus e-mails insistentes foram sendo respondidos pelas pousadas e companhias aéreas, e a viagem foi se desenhando do jeitinho que a gente queria. E sem agência! Até porque a cotação que recebi da operadora foi o dobro dos valores que consegui de forma avulsa. O dobro!!!

Nosso teco-teco para Los Roques
Nosso teco-teco para Los Roques

As companhias aéreas que voam Caracas – Los Roques são a Chapi Air, que se auto-intitula uma Pequena Grande Companhia Aérea, e a AeroTuy que tem aviões maiores (quem viaja com equipamento de kitesurf ou qualquer outra bagagem grande só pode voar com esta empresa, porque nos aviõezinhos da Chapi não cabe!). As duas voam a partir dos dois aeroportos de Caracas – Maiquetia, o internacional, e Higuerote, que é doméstico e fica a 150km do primeiro – e tem que deixar bem claro nos e-mails com as companhias o aeroporto desejado. Nossa escolha foi pela Chapi Air, por recomendação de amigos e por sabermos que a Aerotuy tem um histórico grande de atrasos e cancelamento de vôos (o que foi confirmado por um piloto que conhecemos posteriormente na ilha).

Pousada Piano y Papaya
Pousada Piano y Papaya

A ilha de Gran Roque é a base do arquipélago, e a única a ter alguma infraestrutura para moradores e turistas. Pousadas são muitas, mas conseguir se comunicar com elas é difícil e dá trabalho: é tudo por email ou telefone e precisa insistir até que eles resolvam te responder. Optamos pela pousada Piano y Papaya, somente com bed&breakfast, sem passeios e sem pensão completa – quase todas as pousadas oferecem um “pacote completo”, algumas até mesmo podem organizar o vôo para você, mas como gostamos de independência e flexibilidade nas viagens, optamos por esta. E estes passeios incluídos, na verdade contemplam somente as duas ilhas mais próximas a Gran Roque (Madrisqui e Francisqui, que ficam a 5 e 8 minutos de barco, respectivamente). As demais ilhas são combinadas e pagas a parte diretamente para os barqueiros.

Bom, depois de muito trabalho e muito tempo dedicado para conseguir todas as informações, cotações e confirmações, e já achando que estava tudo perfeitamente planejado e encaixado, o dono da pousada Piano y Papaya me mandou um email dizendo exatamente o seguinte: “Seu bebê é muito bem-vindo à nossa pousada, mas não aconselhamos viajar a Los Roques com crianças abaixo de 5-6 anos”. Eu já havia lido esta mesma recomendação em outros sites, que Los Roques não possui nenhuma estrutura para crianças (muito menos para bebês). Mas receber este email do dono da pousada foi mais pesado, confesso, e a dúvida pairou mais uma vez pela minha cabeça: será que devo mesmo ir e levar o Chico nessa aventura? Será que não estou passando do ponto? Li e re-li tudo que encontrei sobre Los Roques e no final decidimos encarar, sabendo que teríamos que tomar precauções extras, especialmente pelo sol.

E então finalmente partimos para este paraíso caribenho, rústico, polêmico, e tão absurdamente maravilhoso…

O nosso esquema turístico aqui foi assim, top (e é similar em quase todas as pousadas): na noite anterior escolhíamos a ilha que gostaríamos de ir no dia seguinte, e reservávamos a nossa “cava” (um isopor que as pousadas preparam com comes e bebes para as pessoas passarem o dia nas diferentes ilhotas, já que quase nenhuma possui opção de restaurante ou bar). No dia seguinte acordávamos cedo, as meninas da pousada serviam um belo café de manhã numa mesa única para todos os hóspedes (oportunidade de conhecer pessoas incríveis), e a África – a sensacional, brava e figurassa gerente da pousada – definia se era possível ou não ir para a ilha escolhida, em função das condições do mar, da disponibilidade dos barqueiros e do combustível para os barcos (no país do petróleo falta combustível, é inacreditável), e deixava tudo combinado e organizado. E aí era só pegar o barco na beirinha da praia e curtir o dia no seu mini-paraíso quase particular…

Dia 1: A dois passos do paraíso

Saímos de Cartagena cedinho com destino a Caracas, com conexão em Bogotá.

Tínhamos lido muito a respeito da chegada na Venezuela, inclusive tentamos uma combinação de vôos que não precisasse pernoitar em Caracas para ir até Los Roques, principalmente pelo tema da insegurança, mas não conseguimos.

No aeroporto de Maiquetia, em Caracas, basta você sair do saguão de desembarque para as pessoas começarem a te abordar (de forma relativamente discreta, mas sucessiva e muito insistente) para trocar dinheiro no câmbio paralelo – vulgo mercado negro.

Tivemos a sorte de conhecer um casal de brasileiros no avião que moram em Caracas, e eles nos recomendaram não trocar dinheiro no aeroporto e sim com alguém no hotel, e seguimos esta instrução. Pegamos o ônibus-shuttle do hotel Eurobuilding em frente ao aeroporto, o trajeto leva menos de 10 minutos, e no hotel conseguimos trocar dinheiro com o cara que carregava as malas, dentro do nosso quarto e com mais “segurança”. Foi excelente ter seguido a recomendação do casal brasileiro, porque a quantidade de notas de bolívares necessárias para comprar uma única nota de 100 dólares é um absurdo! A maior nota impressa no país é de 100 bolívares, que equivale a aproximadamente 0,15 cents de dólar!! É praticamente uma mala de dinheiro…

No câmbio paralelo conseguimos a cotação de 1 dólar = 600 bolívares (no câmbio oficial de turismo 1 dólar comprava somente 180 bolívares!!! É surreal, bizarro, e o Rafa explica melhor este assunto interessante e polêmico neste texto!)

Jantamos no restaurante do próprio hotel, que é muito bom! E mesmo se não fosse, não teríamos saído de lá…

Dia 2: Agora sim, finalmente Los Roques!

Acordamos cedinho para irmos ao aeroporto Maiquetia, não sei se mais ansiosos para sair de Caracas e terminar logo esse longo trajeto até o arquipélago, ou se para finalmente ver ao vivo todas aquelas paisagens que tanto admiramos e babamos em nossas pesquisas… Mas conforme previsto, antes de sairmos de Caracas teríamos ainda que ralar um pouco e passar por um mini-perrengue.

Check in Chapi Air
Check in Chapi Air

A Chapi Air não em balcão de check in (sério), então ficamos esperando na frente do escritório da empresa dentro do aeroporto, que estava fechado, sem saber o que fazer. E nisso várias pessoas nos oferecendo troca de dinheiro no câmbio paralelo… Uns 20 minutos depois uma funcionaria chegou e nos avisou que o vôo sairia do aeroporto auxiliar, que fica ao lado de Maiquetia, 5 minutos de carro. Mas não estávamos de carro, estávamos receosos de pegar um táxi e ela nos disse que ir caminhando era super perigoso, e que certamente seríamos assaltados (não estou exagerando em nada, o país está nesse nível absurdo!)… Por sorte (de novo!) encontramos um casal de italianos que estava com uma agente de turismo particular e também precisavam migrar de aeroporto, e eles nos ofereceram carona até o local correto de onde o vôo sairia! Super simpáticos, nos encontramos nas praias várias vezes depois!

O check in foi feito em uma mesinha no corredor do aeroporto auxiliar, as malas pesadas em uma balança tipo de banheiro, mas no final deu tudo certo. A bagagem pertimida para os vôos (das duas companhias aéreas) é de 10kg por pessoa, incluindo a bagagem de mão! Para cada kg de excesso pagamos 1 dólar. Eles pesam até as pessoas para saber qual peso total terá no vôo… talvez para saber se o aviãozinho conseguirá decolar ou não…

Los Roques vista de cima
Los Roques vista de cima

O vôo é bem rápido, 35 minutos, em um aviãozinho de 9 passageiros, e nos 10 minutos finais Los Roques já se apresenta em grande estilo… Você esquece que está em um teco-teco e não consegue parar de olhar para baixo, de tão surreal que é a beleza…

Já na chegada em nossa pousada na ilha de Gran Roque tomamos um “sermão” da África, a gerente linha dura mas fofíssima, de coração gigante! Ela nos disse um milhão de vezes pra tomarmos muito cuidado com o sol, usar muita proteção, tomar muita água, e de novo, pra não esquecermos, tomar muito cuidado com o sol! E repetiu que Los Roques não é para bebês!!! Imagina a nossa cara sentadinhos no sofá tomando bronca…

O quarto é pequeno, simples, limpo e confortável, chuveiro frio e com pouca água, e sem bercinho para o Chico. Dormimos os três juntinhos e apertadinhos em uma cama de casal tamanho normal. Tem ar condicionado, mas funciona somente quando tem energia elétrica na ilha (apagões são bem comuns por lá). E como a temperatura é sempre acima dos 30 graus, mesmo a  noite, passamos uns apertos… Nossa pousada tinha gerador, que permitia que alguns ventiladores funcionassem mesmo sem energia, o que quebrava um galho.

Piano y Papaya por dentro
Piano y Papaya por dentro

Pegamos uma lancha para nossa primeira ilhota chamada Francisquí, que fica a 8 minutos de Gran Roque. E Los Roques já mostrou de cara todo seu potencial… Essa ilha, que depois descobrimos ser uma das mais basiquinhas do arquipélago, é sensacional, a cor da água é aquele azul turquesa que imaginamos quando pensamos em uma praia perfeita, em contraste com a areia branquinha, um absurdo de beleza!

Francisquí
Francisquí

Almoçamos em um pequeno restaurante no canto da praia, e a conta ficou bem barata dada a conversão do mercado paralelo – tudo pago em dinheiro vivo para aproveitar essa loucura da economia venezuelana!! Assim, tudo aqui fica muito barato, com exceção do vôo e da pousada que você precisa pagar antecipadamente pelo PayPal, em dólares na conversão oficial.

Voltamos pra Gran Roque maravilhados e o Rafa foi correr na pista do aeroporto no fim da tarde.  Como não chegam nem saem mais vôos neste horário, eles liberam a pista de pouso para o pessoal caminhar e correr.

Aquarena

Jantamos no Aquarena, um bar top de frente para o mar, lindo, comida e bebida excelentes! E o melhor, super barato! Aqui tem o melhor e mais fresco tartar de atum da vida!! E terminamos a noite com uma das cenas mais bizarras que já vimos: o restaurante tem um contador automático de notas, porque, mesmo sendo muito barato, a conta em bolívares equivale a muitas e muitas notas de dinheiro, e não dá pra contar na mão! Você vai entregando bolinhos de notas para o garçom e a maquininha vai contando, até chegar no valor total…

De fato esta situação econômica chega a ser engraçada de tão absurda, mas na verdade é muito triste ver um país e um povo tão sofrido, com tanta escassez das coisas mais básicas – não tem comida no mercado, falta arroz, banana, farinha… Isso sem falar que remédios, alguns produtos de higiene pessoal e fraldas descartáveis são praticamente artigos de luxo!!. Água é racionada e falta energia elétrica com frequência! Os venezuelanos com um pouco mais de grana tem que sair do país para comprar artigos básicos de consumo! Costumam ir para a Colômbia ou para Aruba, e voltam com a mala cheia de comida.  As pousadas e restaurantes tem que se virar para ter o que servir aos turistas (nos restaurantes sempre falta algo do menu). Isso sem falar da internet, que vira e mexe o link de comunicação internacional cai no país todo por falta de pagamento por parte do governo venezuelano, que derruba também a telefonia.

Dia 3: Cayo de agua

O mar amanheceu calmo, quase sem vento, então a África, gerente da pousada, decretou que hoje era dia de Cayo de Água! A cena foi linda: ela chegou na sala da pousada, abriu a janela que tem vista para o mar, olhou rapidamente e anunciou em alto e bom tom: “É hoje!”.

Cayo de Agua - Los RoquesComo aqui venta bastante, e o mar geralmente fica muito batido, ela estava preocupada por causa do Chico, pois o trajeto de barco para esta ilha leva 1 hora, e pega bons trechos de mar aberto… E só nos restou a opção de obedecer a ordem, e seguir rumo a Cayo de Água, o destino mais esperado, o top do top, créme de la créme, hors councour de Los Roques…

E as 09:30 da manhã, horário combinado, saímos com o barco da praia, equipados com dois guarda-sóis, cadeiras, cava, e o mais importante, Chico bem instalado e seguro no sling, grudado em mim!

A ida foi bem tranquila, mais rápida que o esperado, e o Chico dormiu o caminho todo com o balancinho do mar. E quando chegamos à ilha, nosso queixo caiu… todas as fotos que já havíamos visto de Cayo de Água não chegam aos pés da realidade… É uma coisa tão bonita, tão perfeita, e ao mesmo tempo tão simples e minimalista (que prova que de fato “menos é mais”), que você não acredita no que vê… e é só água e areia, não tem um coqueirozinho sequer… e quem precisa de coqueiros quando se tem a água mais turquesa e a areia mais branca já vistas?? E ainda, quando se tem uma linda faixa de areia unindo duas ilhas, tecnicamente chamada de istmo, que faz com que você tenha não uma, mas sim duas praias perfeitas, uma de cada lado… fora as adjacentes ao redor da ilha…

Cayo de Água

Cayo de Água

Cayo de Água

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Como bem definiu um amigo, Cayo de Água é um “tapa na cara”, é quase uma piada da natureza para fazer você repensar o conceito de beleza…

Ficamos lá até o meio da tarde, e no caminho de volta a Gran Roque ainda demos uma parada em Carenero, outra ilha lindíssima de águas transparentes. O trecho Cayo de Água -> Carenero foi muito ruim, mar super batido, ondas enormes, e mesmo o capitão do barco indo devagar e de forma cuidadosa (além do Chico, tinha uma grávida de 5 meses conosco, a Priscila, que estava em pânico ao meu lado!) eu fiquei inteira molhada! Por sorte o Chico estava dormindo e não acordou, e consegui protegê-lo da água com várias toalhas. Foram uns 20 minutos bem tensos, mas depois de Carenero a Gran Roque foi bem mais tranquilo.

Quando chegamos na pousada a África estava preocupada, pois o mar havia virado no começo da tarde (por isso aquelas ondas todas). De fato, o passeio até Cayo de Água foi uma aventura, mas valeu cada segundo de tensão da volta.

Jantamos na própria pousada (havíamos combinado o jantar na manhã neste mesmo dia), um ótimo risoto de peixe! E depois do jantar ainda fomos tomar um mojito no bar da pousada Canto de la Ballena, pra celebrar o dia.

Dia 4: Madrisqui

Travessia de Madrisquí a Cayo Pirata
Travessia de Madrisquí a Cayo Pirata

Neste dia resolvemos ir até Madrisquí, que é a ilha mais próxima de Gran Roque, 5 minutinhos de barco. Fomos com o pessoal que estava hospedado conosco na pousada, dois casais incríveis, os argentinos Gonçalo e Flor, e os brasileiros Carlos e Priscila (grávida do Pedro que chegará logo mais!).

A ilha é linda, águas inacreditáveis, e mesmo depois de Cayo de Água Los Roques ainda consegue nos surpreender… Na verdade são duas ilhas ligadas por um trecho rasinho de água (Madrisqui e Cayo Pirata), e em Cayo Pirata (que na verdade é um banco de areia bem pequeno) tem um restaurantezinho onde almoçamos.

Voltamos para Gran Roque e acompanhamos o Gonçalo em seu programa favorito: tomar um mojito no bar Bora La Mar, em frente à praia, contemplando o belo por do sol da ilha… Acabamos jantando neste mesmo bar, um ótimo mero ao vinho branco!

Restaurante Bora la Mar, ao lado da igrejinha, na praia de Gran Roque
Restaurante Bora la Mar, ao lado da igrejinha, na praia de Gran Roque
Por do sol visto do Bora La Mar
Por do sol visto do Bora La Mar

Dia 5: Noronquí de bajo, Crasquí e Laguna Rabusquí

Noronquí
Noronquí

Saímos no nosso horário tradicional de 09:30h, de novo com nossa turma da pousada, para uma rápida passada em Noronquí de bajo, lindíssima como tudo aqui, com uma baía linda de águas rasinhas e transparentes!

De lá fomos até Crasquí, que eu amei! Praias lindas, mar turquesa, ficamos em uma das “esquinas” da ilha em um trecho de praia quase deserta até o final da tarde, aproveitando tudo que Los Roques tem de melhor: sol, céu e sal! Rafa fez snorkel em uma baiazinha perto de onde estávamos, com muitos peixes (muitas barracudas!) e corais lindos!

Almoçamos no Rancho Don Lipe, na mesma praia que estávamos a uns 10 minutos de caminhada. Comida boa mas atendimento péssimo, confuso e muito lento. Mas quem se importa com esses pequenos fatos quando se está de frente para uma praia perfeita?

Crasquí
Crasquí
Crasquí vista do restaurante Don Lipe
Crasquí vista do restaurante Don Lipe…
e de outro ângulo…
Eu lá no canto caminhando até nossa esquina deserta na ilha de Crasquí
Eu ali no canto caminhando com o Chico até nossa esquina deserta na ilha de Crasquí

Depois do almoço voltamos para nosso cantinho da ilha, e o Chico brincou a tarde inteira na água!

Crasquí

Laguna Rabusquí
Laguna Rabusquí

E pra terminar mais um dia lindo, talvez o mais perfeito de todos, a volta do barco foi uma delícia! Paramos na Laguna Rabusquí, que é um manguezal em pleno mar (sim, manguezal no meio do mar!), com água muito transparente, e várias estrelas do mar no fundo, lindas, vermelhas e enormes! E de lá até Gran Roque fomos todos bem devagarinho, curtindo o balanço do mar de azeite, ao som de Bob Marley…. Carlos, Pri, Gonçalo, Flor, eu e meus dois amores, Rafa e Chico (Rafa um tanto quanto bêbado comandando o som do barco)…. E pra completar, tínhamos como companhia de um lado um perfeito arco-íris (de arco completo, daqueles que tem um tesouro escondido no final) e do outro o sol se pondo no horizonte… E assim a tarde terminou com a paz invadindo meu coração…

O que mais um ser humano precisa para ser feliz?? O que mais além de sol, mar, uma bela paisagem, boa música, bons amigos e muito amor? Ah, tem mais uma coisa que precisamos para sermos felizes! Boa comida e boa bebida! E então para nossa felicidade estar completa fechamos a noite no Aquarena, com nosso tartar de atum, hamburquesas de pescado (nunca tinha visto, nos recomendaram e foi surpreendente, muito bom!) e um belo vinho branco…

Dia 6: Mergulho e Gran Roque

Praia de Gran Roque
Praia de Gran Roque

Dia tranquilo para relaxar… Rafa foi mergulhar na barreira de corais, no sul do arquipélago, e eu e o Chico ficamos em Gran Roque.

Um pouquinho de praia (a praia de Gran Roque não é boa para os padrões locais, mas ainda sim é bem bonita), almoço no Aquarena, parquinho com o Chico, e no final do dia jantar e mini-balada na pousada para despedida do Gonçalo e da Flor, que partiriam no dia seguinte de volta pra casa.

A madrugada foi complicada e longa, acabou a energia e ficamos sem ar condicionado… e o ventilador não faz nem cócegas num calor de 30 graus! E para piorar o Chico começou com diarreia no meio da noite…

Dia 7: Sarquí

Dormimos mal e o Chico acordou bem desanimado, amoadinho, sem apetite nenhum. Fomos até a ilha de Sarquí, e ele dormiu quase a manhã toda, o que foi ótimo porque depois do almoço ele já estava super bem disposto! Não comeu mas mamou bastante, o que já me tranquilizou muito!

Sarquí é lindo, como tudo aqui, mais uma ilha perfeita, paradisíaca! Ficamos o dia todo, só nós três, aproveitando cada segundo dessa paz….

Jantamos no Bora La Mar, e dormimos cedo, pra descansar da noite anterior mal dormida.

Dia 8: Noronquí de novo!

De manhãzinha fui até o mercado procurar banana ou maçã para o Chico, mas não tinha… a escassez de tudo aqui é um problema sério… O Chico estava ótimo, super animado, apesar da diarreia continuar e do apetite ter sumido… mas a amamentação mais uma vez estava salvando! Dá-lhe peito e água para manter a hidratação nesse calor!!

Noronquí
Noronquí

Gostamos tanto de Noronquí que quisemos voltar, pois na primeira vez que fomos tínhamos ficado muito pouco! Linda ilha com sua baía transparente, mas neste dia demos o “azar” de encontrar com uma turma muito grande na praia, de uma pousada vizinha à nossa.  E este foi o dia mais quente de toda a semana, pois a brisa estava muito fraquinha, diferente dos outros dias que ventou bastante, que é o mais comum em Los Roques (o que é ótimo porque refresca muito!).

Na volta a Gran Roque fomos até um postinho de saúde (estilos nossos UPA’s brasileiros), que ficava na rua atrás da pousada, só por desencargo de consciência, pois o Chico estava super bem disposto e eu já estava em contato com a nossa pediatra no Brasil! E esta visita foi surpreendente, porque a estrutura do local era excelente! Fomos atendidos na hora, por uma pediatra super simpática e super atenciosa com o Chico! Ele estava de fato super bem, e só o que tínhamos a fazer era seguir com muita hidratação! Segundo ela, diarreias são bem comuns aqui por causa das moscas que pousam na comida, e por mais rápido que seja, já deixam toxinas que o corpo precisa eliminar – mais uma lição aprendida sobre a alimentação do Chico em viagens.

Jantamos no Canto de la Ballena, e dormimos outra vez sem energia elétrica, sem ar condicionado, mas agora com dois ventiladores, que ajudaram bastante!

Dia 9: Greve dos barqueiros

Aquarena pé na areia
Aquarena pé na areia

Acordamos ainda sem energia elétrica, e pra nossa surpresa, sem combustível para os barcos! No país quem tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo, faltar combustível no local de maior movimentação turística do país, onde absolutamente tudo é feito de barco é o cúmulo da incompetência governamental e administrativa! Os barqueiros decidiram fazer uma greve neste dia para protestar contra essa escassez, e com todo o apoio da população e da maioria dos turistas (pelo menos daqueles que tem um mínimo de discernimento e capacidade de entendimento político-econômico-social).

Ficamos o dia todo em Gran Roque, então aproveitei e arrumei as malas. No fim do dia fomos ver o por do sol e jantar no Aquarena, aproveitar nossa última noite no melhor bar da ilha!

Por do sol no Aquarena
Por do sol no Aquarena

Resumo da minha experiência em Los Roques:

Quem gosta de praia tem que conhecer Los Roques. Praia com “P” maiúsculo. P de perfeição. P de paraíso. P de preservado. E P de perrengue…

Tem Caracas, tem mosquitos, tem sol forte, tem solavancos no barco, falta comida, falta água, falta energia, falta internet, falta combustível…. Mas tem Cayo de Água, tem Crasquí, tem Robusquí, tem Noronquí, tem Sarquí, e tem outros 30 “quís” que valem todo e qualquer possível perrengue que você possa passar…

Los Roques foi um dos lugares mais deslumbrantes que já fui, de uma beleza natural absurda e um charme rústico encantador! Caribe de verdade, puro, natural, sem pose, sem pompa e sem circunstância. Simples e minimalista como a vida deve ser.

Destaques da nossa viagem

  • Cayo de agua e Crasquí, para mim as melhores ilhas.
  • Depois de Cayo de Água e Crasquí, todos as outras ilhas e bancos de areia, com suas praias e águas perfeitas
  • Posada Piano y Papaya, que parece uma casa de praia com amigos, simples e rústica (como tudo aqui), mas tem um ambiente muito gostoso, é super bem decorada e tem ótimo custo-benefício – e claro, tem a nossa querida África, uma das maiores figuras que você pode conhecer na vida!
  • Aquarena, o melhor bar/restaurante da ilha! Uma delícia para ir no fim de tarde ou a noite
  • Tomar um mojito contemplando o por do sol no Bora La Mar
  • Aproveitar que você está na Venezuela, e sentir na pele o que as “Revoluções Bolivarianas da vida” podem fazer com um país e com um povo – como África nos disse, “gostaria que todos tivessem a oportunidade de passar uns dias aqui pra entender de verdade o que se passa em nosso dia-a-dia”
  • E pra em seguida esquecer que você está na Venezuela, voltar a Cayo de Água, Crasquí, Robusquí, Noronquí, Sarquí, ou qualquer outro “quí”!

 

Para mais detalhes da nossa experiência com bebê em Los Roques, contamos tudo lá no ChicoOnTheRoad!

2 Comentários Los Roques
O verdadeiro significado de beleza minimalista

  1. Edna 19 de outubro de 2015 às 00:39

    A beleza do mar é tanta, seja pela cor, pelos raios de sol ou pela areia, que se torna inimaginável escolher a ilha mais linda. Qual a cor do mar descreve melhor o lugar? São lugares perfeitos, onde a natureza ainda é bonita e rústica. Até a gerente da pousada, a África, que foi justa e os aconselhou para o bem estar do Chico, preciso agradecer pelos cuidados com vocês. A natureza é maravilhosa, é preciso saber ver. Aproveitem. Bjos.

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  2. Roxane 28 de fevereiro de 2016 às 21:01

    Fantástico relato!

    Estou indo em breve para San Andrés e para Providencia (o caribe rústico) em Julho, mas Los Roques não sai da minha cabeça há uns 5 anos, pelo menos. Depois da chata experiência de ter sido roubada na Bolívia fico com o pé atrás de viajar sozinha para certos lugares, em especial a Venezuela, que é preciso passar por Caracas. Li muitos relatos de assaltos, roubos, golpes até mesmo no aeroporto. Mas conheço gente que até mesmo trabalhou na Venezuela e tem ótimas recordações sobre Margarita, Los Roques e Morrocoy. Bom saber que ainda há gente que ousa a ir a Venezuela nessa triste fase. Vou salvar o blog para ver sempre que precisar, rs.

    Responder

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