Tóquio
O caos harmônico no extremo Oriente

Tóquio por ela

J

apão! Tóquio!! É quase inacreditável ter visitado essa cidade, ter conhecido essa cultura tão rica, tão linda, e algumas vezes contraditória…

Eu realmente nunca tinha pensado seriamente em ir para o Japão, porque tinha outras prioridades em minhas viagens de férias e principalmente porque é muito longe!! Mas em uma viagem de volta ao mundo a coisa muda de figura… Japão era obrigatório! E agora, depois de ter conhecido algumas cidades do país, acho que visitar o Japão é obrigatório não só para quem faz uma volta ao mundo, mas para todo mundo que gosta de viajar!

Pesquisamos muito até fechar nosso roteiro pelo país, que incluiu 1 semana em Tóquio, 1 semana em Kyoto, 3 dias em Hiroshima e 3 dias em Kanazawa. Nosso principal site de pesquisa foi o excelente www.japan-guide.com.

Conseguimos nosso visto no consulado japonês em São Paulo, que, apesar de exigir muitos documentos, é bem tranquilo e sai muito rápido. E o atendimento no consulado é sensacional, e já te dá um apetitivo da educação que você vai encontrar no Japão… No próprio consulado também compramos o Japan Rail Pass, mais barato do que se tivéssemos comprado no Japão, mas ainda assim caro! Por isso só valeu a pena porque iríamos circular muito pelo país. Se fôssemos ficar só em Tóquio, ou em alguma outra cidade, não teríamos comprado.

O JR Pass é um passe que dá direito a você andar em todos os meios de transportes públicos administrados pela empresa JR, no país todo: tem linhas de metrô, trem, trem-bala (shinkansen), e até balsa! Compramos os passes de 14 dias, e uma vez no Japão, é só ir até um posto da JR (tem nos aeroportos ou em qualquer estação de metrô ou trem) para validar a data de início da contagem do período comprado. Sem dúvida, é o melhor sistema de transporte público que conheço!

Mas o Japão é de fato longe, muito longe! Muito longe mesmo!

Embarcando para Tóquio pela Ethiopian Airlines
Em Sâo Paulo, embarcando para Tóquio pela Ethiopian Airlines

Nosso vôo demorou 30 horas!! Viajamos pela ótima Ethiopian Airlines, por uma super oferta que encontramos, com uma conexão em Adis Abeba (capital da Etiópia) e uma escala em Hong Kong. Foi cansativo, demorado, mas de maneira geral tranquilo, bem mais tranquilo do que eu imaginava, principalmente pelo Chico!! O bercinho que as companhias aéreas fornecem para bebês e a amamentação garantiram essa tranquilidade! Lá no ChicoOnTheRoad conto mais detalhes dessa nossa aventura aérea com nosso baby!

E enfim chegamos!

E uma vez em Tóquio, uau… é difícil explicar o “deslumbramento” por estar aqui…

Não demorou muito para a cidade se apresentar para nós como ela realmente é: muita gente, muito movimento, muito barulho, mas muita organização, muita limpeza e muita gentileza e educação das pessoas! Na verdade nos primeiros 5 minutos de caminhada que se faz aqui já é possível enxergar a realidade japonesa nua e crua!

Dia 1: Finalmente Tóquio!

Narita Airport, Tóquio
Narita Airport, Tóquio

As 20h de uma quarta-feira, horário local, 08h da manhã no Brasil, depois de atravessar metade do planeta em 30 horas de vôo, finalmente chegamos a Tóquio! Konnichiwa Japão!!!

E nossa sensação, além do alívio por não estar mais dentro de um avião depois de quase 1 dia e meio, foi de “e agora, o que fazemos??” Era noite, estava chovendo, e só o que tínhamos eram algumas instruções de como ir do aeroporto de Narita até nosso apartamento em Shibuya. E de transporte público, porque taxi é absurdamente caro!

Enfim, lá fomos nós, e de balcão de informações em balcão de informações conseguimos pegar um ônibus (Bus Limusine) do aeroporto Narita até um hotel em Shinjuku, aproximadamente 1 hora de trajeto, e depois um taxi até nossa casa com um taxista que não falava nem uma palavra de inglês!! Surpreendentemente a maioria das pessoas em Tóquio não falam inglês! Ficamos um pouco em choque com isso, porque não era o que esperávamos, e isso dificultou um pouco nosso dia a dia lá… Mas com mímicas, expressões e algumas poucas palavras a gente se entendeu bem… os treinamentos infantis em Imagem e Ação ajudaram a gente!

Depois vimos que tudo funciona aqui, é incrível! Mesmo a gente tendo o grande obstáculo do idioma, com um pouquinho de esforço tudo dá certo!

Chegamos no apartamento mais de 22h, cansados claro, mas cadê o sono??? Nada, porque afinal eram 10h da manhã no Brasil!! Durante o vôo tentamos segurar um pouco o sono, para já entrar minimamente no fuso do Japão, mas nas últimas horas foi muito difícil, e acabamos dormindo…

Nosso apartamento em Shibuya
Nosso apartamento em Shibuya

Nosso apartamento era excelente, muito bonitinho, pequeno (mas para os padrões japoneses o tamanho era ótimo) e super funcional! Tinha uma mini-cozinha, quarto, sala e banheiro estilo ocidental – isso é muito importante aqui, pois os banheiros estilo oriental não tem vaso sanitário, somente um “buraco” no chão, e não queríamos mergulhar tanto assim na cultura oriental ortodoxa… E, embora ficasse em Shibuya, um dos lugares mais movimentados e cheios de Tóquio (e do planeta!), era incrivelmente silencioso e ficava em uma ruazinha muito tranquila! Nossa primeira experiência de AirBnB fora do Brasil e já estávamos amando, com a certeza que tínhamos escolhido muito bem o lugar!!

E uma das coisas mais legais daqui do Japão é que ninguém entra de sapato em casa! Não só em casa mas também em alguns estabelecimentos públicos (restaurantes, bares, lojas)! No começo é estranho ter que tirar o sapato e colocar aqueles chinelinhos de flanela pra andar no apartamento, mas eu amei esse costume, a casa ficava limpíssima e o Chico podia brincar a vontade no chão! Pensando seriamente em adotar esse hábito no Brasil…

Dia 2: Onde estamos? Que horas são?

A adaptação a este fuso de 12horas é difícil e lenta, então, com isso em mente não tivemos “pressa” e deixamos as coisas o mais natural possível, tentando reestabelecer nossa rotina aos poucos…

Conseguimos dormir só as 2h da manhã, e as 5h o Chico já estava em pé, elétrico!

O Rafa ficou com ele e eu dormi mais um pouco, depois invertemos, e depois ainda dormimos os três juntos, a manhã quase toda! Foi impossível se manter acordado, e a chuva forte lá fora não ajudava muito…

Shibuya
Shibuya

Quando a chuva parou, no começo da tarde, saímos de casa para “enfrentar” Tóquio pela primeira vez… E digo “enfrentar” porque é um pouco esse o sentimento! É difícil de explicar a sensação de estar do outro lado do mundo, em uma mega-metrópole de mais de 30 milhões de habitantes, de cultura tão diferente e com um idioma que não entendemos nada… e foi com uma mistura de receio e curiosidade que saímos de casa pela primeira vez… Mas esse “receio” durou muito pouco, porque o local que estávamos, embora muito movimentado, era tão legal, com um monte de restaurantes, lojinhas, cafés, mercados, enfim, tudo que imaginássemos tinha ali perto! Fora as crianças de 7 anos indo para a escola caminhando sozinhas, sem nenhum adulto supervisionando, super simpáticas e alegres, em uma das maiores e mais cheias avenidas do mundo!!! Sozinhas!!! Fiquei tão encantada com essa cena que o país já me conquistou ali mesmo, nos primeiros minutos de caminhada…

Fomos até o supermercado, que ficava a uns 10 minutos andando, e já compramos comida para a semana toda: legumes, vegetais, cogumelos, peixes e noodles, a base da comida japonesa! Os ingredientes que encontramos são praticamente os mesmos que temos no Brasil, com algumas exceções de coisas que não conhecia. Em geral comida é cara, especialmente frutas! Mas as bebidas alcóolicas são surpreendentemente baratas! Aproveitamos para comprar um dos melhores saquês “locais”!

Supermercado em Tóquio
Supermercado em Tóquio

Passeamos um pouco mais pela vizinhança, inclusive para tentar segurar o sono dos três, e voltamos pra casa. Chico capotou umas 19h, mesmo eu tentando mantê-lo um pouco mais acordado, e nós fomos até 22h, com ajuda do nosso ótimo primeiro jantar na capital japonesa (estreando minha cozinha!): sashimi + edamame + noodles com vegetais + saquê, como não podia deixar de ser!

Konnoh Hachimangu Shrine, um santuário Xintoísta pertinho de nossa casa, no meio de Shibuya!
Konnoh Hachimangu Shrine, um santuário Xintoísta pertinho de nossa casa, no meio de Shibuya!

E depois de dormi bem por umas 3 horas, no começo da madrugada veio uma insônia brava… Por sorte o Chico dormiu quase a noite toda, de tão cansado que estava!

Dia 3: Explorando Shibuya

Shibuya
Consumo desenfreado em Shibuya

Estar em um fuso de 12 horas na frente do Brasil é estranho em tudo! Fora o relógio biológico praticamente em curto circuito, a comunicação com as pessoas no Brasil é muito estranha, e tem que ser meio pensada e planejada! Você quer falar com alguém a tarde, mas tem que esperar horas até que a pessoa acorde! E vice-versa, você lê mensagens as vezes muito tempo depois que a pessoa te mandou! Mais uma experiência interessante de se estar do outro lado do mundo…

Depois da minha insônia que durou até 4h da manhã consegui “tirar um cochilo”, que mais pareceu uma “piscada de olho”, e acordamos por volta das 6h, com nosso despertador Chico!

Uma ruazinha tranquila em Shibuya!
Uma ruazinha tranquila em Shibuya!

Aproveitando que estava sol saímos de casa cedo, afinal, o melhor remédio pra entrar no fuso local é o sol! E saímos andando sem rumo por Shibuya. Lojas, lojas e mais lojas, de tudo! De roupas a eletrônicos, do luxo ao popular! Shibuya é o paraíso do consumo! Mas as coisas em geral são caras – ou o real que está muito desvalorizado?! Bem, independente da causa, a consequência foi que não compramos nada e só ficamos batendo perna!

Almoçamos, caminhamos mais um pouco por umas ruazinhas mais tranquilas, longe da muvuca das grandes avenidas, e descobrimos lojinhas e cafezinhos lindos e muito charmosos! Nada melhor do que explorar um lugar caminhando!

Voltamos pra casa no meio da tarde e capotamos! Não era o plano, mas não conseguimos ficar acordados de jeito nenhum!! Mais uma noite bagunçada pela frente…

Dia 4: Terremoto (!?!), Yoyogi e Meiji Shrine

Acordamos antes das 5h da manhã, com o Chico elétrico, e fui para o sofá amamentar. De repente comecei a sentir tudo balançar!! Estávamos no meio de um terremoto!!!! Durou uns 15 segundos, foi relativamente rápido, mas foi emocionante! Sentir o chão balançando sob seus pés pela primeira vez, dentro de um edifício, não é exatamente a coisa mais legal do mundo, mas não dá pra dizer que não é uma experiência incrível e até “folclórica”!! Sério, pegar um terremoto em Tóquio??? Histórico!!

Avenida do lado do parque Yoyogi
Avenida do lado do parque Yoyogi

Não aconteceu nada em nenhuma parte dentro do alcance do terremoto, mas foi forte até, depois vimos que teve 5,4 pontos na escala Richter! O Japão é de fato extremamente preparado para estes acontecimentos, especialmente Tóquio.

Recuperados do susto, e já achando o “máximo” ter vivido essa experiência (o máximo obviamente porque não aconteceu nada, nem com a gente nem com ninguém), saímos pra aproveitar o sol e a cidade!

Depois de uns 25 minutos de caminhada com a ajuda do pocket Wi-Fi chegamos no parque Yoyogi, que fica ainda em Shibuya. Lindo, enorme, cheio de crianças, gente caminhando, correndo, brincando com seus cachorros (tem lugares específicos para os cachorros brincarem soltos, muito legal), uma delícia de lugar!! Ficamos caminhando lá dentro a manhã toda!

Em plena área central de Tóquio, um bosque incrível dentro do Meiji Shrine
Em plena área central de Tóquio, um bosque incrível dentro do Meiji Shrine

Lá bem ao lado fica o famoso Meiji Shrine, um santuário xintoísta construído originalmente na década de 20 dentro de uma floresta enorme (700 mil m2). O lugar é lindo, principalmente o caminho no meio do bosque até chegar na construção propriamente dita.

Na entrada de todos os shrines xintoístas ficam os toris, que são aqueles portais bem famosos dos quadros, pinturas e fotos do Japão. Xintoísmo é a espiritualidade ou religião tradicional japonesa, e é impressionante o número de shrines que existem no país. E antes de entrar em qualquer santuário é preciso fazer um pequeno ritual de limpeza das mãos, boca e pensamento. É uma fonte com água e algumas conchas geralmente de bambu que você usa para lavar mãos e boca, e fazer uma mini-meditação para entrar no local com o corpo e a mente limpos, deixando a energia ruim fora deste lugar sagrado.

Assistimos a dois casamentos super tradicionais dentro de um dos recintos do santuário, uma experiência impagável!

Barris de saquê na entrada do Meiji Shrine
Barris de saquê na entrada do Meiji Shrine

Voltamos caminhando até a Shibuya Station, e encontramos o cruzamento mais movimentado do mundo! É uma quantidade de pessoas atravessando a rua ao mesmo tempo, quando o semáforo fica verde, tão grande, tão absurda, que só estando lá no meio pra sentir o que é ser uma formiguinha!

Tentamos entrar na estação para pegar o metrô até Ebisu, uma região que ficava perto de onde estávamos (mas não perto o suficiente para irmos a pé), mas saímos da estação 15 segundos depois de entrar! Foi só dar uma olhada rápida no mapa do metrô e na quantidade de gente circulando que percebemos que ainda não estávamos preparados para encarar o metrô de Tóquio! Nesta estação passam cerca de 3 milhões de pessoas por dia, e as linhas são tão complexas, que preferimos postergar esse desafio.

Nos contentamos em conhecer a famosa Entrada do Hachiko, e a famosa estátua do cachorrinho (do filme!) e voltamos pra casa.

Entrada do Hachiko, na Shibuya Station
Entrada do Hachiko, na Shibuya Station

Dia 5: Harajuku e Isakaya!

Takeshita Street, Harakuju, Shibuya, Tóquio, Japão
Takeshita Street, Harakuju, Shibuya, Tóquio, Japão

O Chico acordou de novo as 4 e pouco da manhã, mas faz parte do processo! Uma hora tudo se acerta…

Ruas de Harakuju
Ruas de Harakuju

Fomos caminhando até Harajuku, uma região em Shibuya famosa pelas “Harajuku’s girls”, as adolescentes japonesas que se vestem de boneca. A manhã de domingo estava linda, as ruas quase vazias (era bem cedo!), e andamos por uma avenida linda até chegar em nosso destino!

As ruazinhas de Harajuku e em especial a Takeshita Street são voltadas para o público teen, que lota a região especialmente aos domingos, quando não tem aula. Muito comércio popular e alternativo misturado com restaurantes e lojas mais luxuosas. A quantidade de lojas de doces que se tem na Takeshita é impressionante! E aqueles doces mega artificiais, cheios de corantes, uma coisa muito louca! Nada apetitosos pra mim, mas o pessoal compra, e muito!

Tomamos café no Noa Café, no final da Takeshita, e uma coisa interessante é que em diversos cafés e restaurantes de Tóquio você não pode simplesmente acompanhar alguém, todo mundo que sentar na mesa precisa obrigatoriamente consumir algo! E não vale só pedir água, até porque eles não cobram pela água!

Caminhamos muito pela região, e vimos algumas meninas vestidas de bonecas, bem tradicionais, muito legal!

Harakuju Girls (não nos deixaram fotografar de frente!)
Harakuju Girls (não nos deixaram fotografar de frente!)
Uma rua linda escondida atrás da Takeshita!
Uma rua linda escondida atrás da Takeshita!

Na volta paramos em uma loja de roupas e decoração que também é um café muito legal, super descolado (“Niko and…”). Vale a pena conhecer, apesar do café ser muito fraco – aliás café não é o forte do Japão!

Chegando perto da estação Shibuya fomos até um izakaya, que é uma espécie de “boteco japonês”, super tradicional, onde os japoneses vão geralmente depois do trabalho (happy hour) beber e petiscar. Sentamos no chão, sem sapato, nos sentindo “quase-locais”!! Experiência muito legal e pouco turística, só tinha japoneses lá dentro, amamos!

Uma coisa “interessante” aqui é que os japoneses em geral fumam muito! Mas muito mesmo! E em qualquer lugar, inclusive dentro de restaurantes, ao seu lado, mesmo que você esteja com um bebê! Tipo o Brasil há alguns anos atrás! As áreas de fumantes e não fumantes são divididas só no imaginário das pessoas, porque a fumaça vai pra todo lado! Neste ponto posso dizer com orgulho nacionalista que estamos bem a frente do Japão e de diversos outros países desenvolvidos do mundo!

Parada para um café no Niko and... , em Harakuju
Parada para um café no Niko and… , em Harakuju
E mais tarde parada para um saquê em um isakaya perto da Shibuya Station
E mais tarde parada para um saquê em um isakaya perto da Shibuya Station

Dia 6: Primeiro dia no metrô de Tóquio: Akihabara

Chico continua no seu “fuso intermediário” acordando as 4h!

Mapa do (nada simples) metrô de Tóquio
Mapa do (nada simples) metrô de Tóquio

E esse foi o dia de criar coragem e encarar de vez o metrô!! Depois de um tempo estudando e analisando as linhas, entendemos minimamente e conseguimos ir até Akihabara, sem erros!! Sério, é muito complexo, e apesar de ter os nomes de todas as estações em inglês, a chance de errar não é baixa…

Pegamos a linha circular Yamanote, que é otima e simples (simples depois da primeira vez, e porque é circular!), e pra nossa sorte ela parava em quase todos os lugares que ainda queríamos conhecer aqui!

Agora, um parêntesis para falar da estação Shibuya: se por fora já é assustadoramente movimentada, por dentro é um dos lugares mais loucos que já vi! É tanta gente, mas tanta, e é tão absurdamente grande, que chega a ser surreal!

Akihabara
Akihabara

Tem duzentas entradas e saídas, vários andares, trens subterrâneos e aéreos, passarelas, elevadores, e lojas, milhões de lojas! E nada de comércio popular por aqui, são lojas de marcas famosas e luxuosas!! E depois vimos que não é só em Tóquio não, todas as grandes estações do Japão possuem um shopping dentro! É Chanel, Lancome, Shiseido, Chloé, Miu Miu e Gucci pra todo lado! Aliás, Shiseido é daqui do Japão, então tem em todo lugar! Tentador!!

Enfim, depois de um tour pela Shibuya Station, um tanto quanto perdidos, pegamos o trem certo e chegamos em Akihabara!

Essa região de Tóquio é o paraíso absoluto dos games, mangás e eletrônicos em geral! Lojas imensas, algumas com 9 andares só de eletrônicos, para tudo que você imaginar!! Até para o que você não imagina na verdade!! Aqui são vendidos aparelhos que eu nunca tinha visto na vida, e que não fazia ideia pra que serviam! E, de novo, muita gente! Consumindo, consumindo, consumindo…

Mais uma "lojinha comum" de 9 andares só de eletrônicos...
Mais uma “lojinha comum” de 9 andares só de eletrônicos…

É incrível essa característica de Tóquio, uma mesma cidade que abriga templos e santuários milenares, onde se busca a paz de espírito e a vida simples, incentiva e promove um consumo louco, insano, de coisas muitas vezes desnecessárias!

O tamanho das lojas assusta, e a quantidade de pessoas comprando é totalmente inacreditável!

As lojas de mangás são um programa bem interessante, mesmo pra quem não liga muito pra isso (como eu!). São muito bem feitos, e tem milhões de modelos e estilos! Quem gosta deve enlouquecer aqui! E gastar fortunas, porque são caros!

Almoçamos em um restaurante em frente à estação, e voltamos para casa! O cansaço e a diferença de fuso “batem” mais a tarde!

Dia 7: Tsukuji Market e Asakusa

Dia de mercadão!!

Um dos diversos tipos de caranguejos vendidos no Tsukiji Fish Market
Um dos diversos tipos de caranguejos vendidos no Tsukiji Fish Market

Pegamos a mesma Yamanote Line de ontem na Shibuya Station, mas agora para a estação Shimbashi, e caminhamos uns 20 minutos até o Tsukuji Market.

O Mercado fecha as 11h, e conseguimos chegar atrasados (como, se madrugamos?? Não sei responder…). Enfim, conseguimos ver um pouco ainda do movimento, é um balcão enorme ao lado de um porto, cheio de barracas, mas só de peixes e frutos do mar! Muuuitos animais vivos, peixes, caracóis, ouriços, lagostas, caranguejos de vários tipos, todos em caixas de isopor cheias de água… Uma cena me marcou muito, um peixinho fofo tentando se mexer em uma caixinha minúscula, olhando para fora da água, acho que tentando entender o que estava acontecendo… Fiquei bem angustiada com esse peixinho e com tantos outros animais vivos… Não sou vegetariana ou vegana, mas como carne poucas vezes no mês… E esse tipo de cena me faz repensar cada vez mais minhas escolhas alimentares…

Restaurante super tradicional perto do Tsukiji
Restaurante super tradicional perto do Tsukiji

Nas ruas perto desse mercado tem diversas outras barraquinhas e lojinhas que vendem de tudo, frutas e verduras, produtos locais, artesanato, facas de sushi, e muitos restaurantes de comida japonesa. Caros e com filas imensas na porta!

Não entramos em nenhum, caminhamos um pouco mais e paramos em um restaurante um pouco mais afastado, no sentido da estação, mais barato, mais tranquilo e muito bom! Contradições minhas a parte, comemos sashimi! O atum aqui é a estrela, tem vários tipo, e são realmente bons. Mas confesso que comi com muito peso na consciência, o que tirou um pouco do sabor do prato… Tenho essa “briga interna” há algum tempo já na minha cabeça, uma angústia muito grande em comer carne pensando nas mortes (e muitas vezes sofrimento) envolvidos e no fato de eu gostar muito do sabor, especialmente de peixe… Não gosto de decisões radicais e extremas em nada na minha vida, mas essa angústia é cada vez maior…  Veremos onde isso me levará…

De lá pegamos o metrô até Asakusa, a região onde fica o famoso Templo Senso-ji. É bem bonito, mas extremamente turístico, com muita gente e muito comércio na frente. Vale a pena conhecer, mas tendo em mente que você terá que enfrentar um mar de turistas pela ruazinha até chegar no templo.

Chegada em Asakusa, onde fica o Templo Senso-ji
Chegada em Asakusa, onde fica o Templo Senso-ji
Por dentro do Templo Senso-ji, destaque para sua pagoda
Por dentro do Templo Senso-ji, com destaque para sua pagoda

Voltamos pra Shibuya de metrô, trocamos dinheiro em um banco em uma das (milhares de) saídas da estação, validamos nosso JR Pass para começar valer a partir no dia seguinte, passamos no mercado e, finalmente, casa! Ritmo intenso de turismo hoje!

Dia 8: Monte Fuji!

Chico dormiu até as 6h, que é o horário normal dele! Uma semana depois de chegar no Japão nossos horários finalmente entraram no eixo!!!

Estação em Hakone
Estação de trem em Hakone

Em nosso último dia em Tóquio decidimos fazer uma “day trip” até Hakone, para ver de perto o Monte Fuji! Mas a jornada é longa: metro até a (também gigante) estação Shinagawa, Trem-bala (localmente chamado de Shinkansen) até Odawara, dois trens até Hakone Yumoto, e mais um ônibus até o Lago Achi… Quase 3 horas só de ida!! O bom é que foi tudo por conta do JR Pass! E ainda não tinha acabado, pegamos um barco turístico que nos levou até a metade do lago, mais perto do Monte… Foram 30 minutos de barco, mas só conseguimos ver o sombreado do Monte Fuji, porque estava muito nublado – como quase sempre nesta região. É muito difícil conseguir um dia sem nuvens aqui!

Caminhamos um pouco mais no porto para tentar enxergar alguma coisa mais compensadora depois de tanto tempo de “estrada”… e voilá! Eis que Fuji-san (como os japoneses chamam carinhosamente este símbolo do país) resolveu dar as caras!! Continuava atrás de algumas nuvens, mas com uma visibilidade muito melhor do que no barco! Emocionante!

Fuji-san!
Fuji-san!

Na volta economizamos dois trens e fomos de ônibus do Lago Achi direto até Odawara, onde pegamos o Shinkansen até Shinagawa, e em seguida metrô até Shibuya.

Cais do porto no Lago Ashi
Cais do porto no Lago Ashi

Pelo trabalho e tempo necessário para ir até Hakone e seu lago Achi, não achei que valeu a pena, especialmente por estar nublado e não termos tido aquela visão clássica dos cartões-postais do Monte Fuji. Se você conseguir ter certeza que o tempo estará aberto, vale sim ir até lá, mas caso contrário, acho que não iria.

Resumo da minha experiência em Tóquio:

Não consigo pensar em um adjetivo bom e adequado o suficiente que expresse em uma única palavra tudo que vi e senti nesta cidade, todas as suas belezas, suas curiosidades, suas loucuras e suas contradições… Mas, sendo bem simplista, Tóquio é incrível! I-N-C-R-Í-V-E-L!!!!

Vale ficar mais de 1 dia voando, vale ficar 1 semana sem dormir direito até entrar no fuso, valem as mímicas, vale se sentir totalmente perdido no meio da maior e mais populosa metrópole do mundo, vale tudo!

É tudo muito diferente, muito cheio, muito movimentado, e muito legal!

As pessoas em geral pensam muito mais na coletividade do que nelas próprias, e por isso tudo funciona bem.  O ambiente, embora pareça um tanto caótico aos olhos de quem vê pela primeira vez, é no fundo, por traz do barulho, um ambiente de harmonia! Exatamente como vemos dentro dos santuários espalhados pela cidade… É uma educação, uma gentileza e uma simpatia que nunca vi igual! E só isso acho que já faz toda uma viagem valer a pena…

Destaques da nossa viagem

  • Se hospedar em um apartamento ou casa, e não em um hotel, e se sentir “morando” em Tóquio, ir ao supermercado, cozinhar… mergulhando na cultura e no dia a dia da cidade um pouco mais do que um “turista comum”
  • Sentir a segurança absurda das ruas, a ponto de crianças de 7 anos irem sozinhas para a escola através de um dos locais mais movimentados do mundo!
  • Andar no metrô de Tóquio e chegar onde se deseja sem errar! E se sentir “manjando tudo” depois disso
  • Atravessar a rua no maior cruzamento do mundo, em frente a Entrada do Hachiko na Shibuya Station
  • Conseguir pegar taxi e perguntar informações para as pessoas só na base da mímica, e ter sucesso na comunicação!
  • Caminhar pelas ruas de Tóquio o máximo possível, para ver com seus próprios olhos tudo que conseguir dessa cultura tão diferente e tão legal!
  • Ir em um isakaya, o “boteco” japonês
  • Monte Fuji, sem nuvens!
  • E finalmente, passar por um terremoto que não cause nenhum dano, mas que seja intenso o bastante para você sentir tudo balançando, e assim poder ter vivido mais uma experiência local super inusitada! :o)

Para mais detalhes da nossa experiência com bebê em Tóquio, contamos tudo lá no ChicoOnTheRoad!

Próxima parada: Kyoto!

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